A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Caxias do Sul iniciou neste mês um projeto para reduzir a fila de cirurgias ginecológicas eletivas, que reúne cerca de 700 pacientes. A iniciativa prevê a reavaliação das mulheres que aguardam por histerectomia (procedimento para a remoção do útero) para tratamento de doenças benignas e considera alternativas clínicas, como a colocação do DIU hormonal Mirena. Para viabilizar a ação, o município adquiriu 150 dispositivos com recursos de uma emenda parlamentar de R$ 180 mil.
O Mirena pode ser indicado para o tratamento de condições como o sangramento uterino anormal, contribuindo para reduzir o fluxo menstrual e controlar a dor. A eficácia na redução do sangramento pode chegar a cerca de 80%, conforme a secretaria. A proposta busca ampliar as opções de tratamento ambulatorial e reduzir a necessidade de procedimentos cirúrgicos quando houver indicação clínica para uma abordagem não cirúrgica.
Segundo a médica ginecologista Damáris Chies Migot, diretora técnica de Atenção à Saúde da Mulher, o projeto não prevê a substituição automática da cirurgia pelo dispositivo. Cada paciente passará por avaliação individualizada, com atualização do quadro clínico e dos exames, análise dos critérios de elegibilidade e segurança e decisão compartilhada entre a mulher e a equipe médica.
O secretário da Saúde, Rafael Bueno, destaca que a iniciativa integra as ações voltadas à ampliação dos cuidados com a saúde da mulher, em meio ao Outubro Rosa. Entre as medidas já adotadas pela pasta, ele cita mutirões de atendimento, a implantação do Ambulatório da Mulher e da Sala Lilás, entre outras ações.
Com o novo projeto, a secretaria busca oferecer alternativas terapêuticas adequadas a cada caso e contribuir para reduzir a espera por cirurgias ginecológicas no município. A avaliação priorizará mulheres que aguardam a histerectomia por condições benignas, especialmente aquelas com mais de 40 anos que apresentam sangramento uterino persistente ou associado a miomas e adenomiose, sem resposta a tratamentos anteriores.
Também poderão ser consideradas pacientes com hiperplasia endometrial, dor pélvica crônica associada à endometriose e outras condições possíveis de tratamento clínico. Para mulheres com menos de 40 anos, a análise será direcionada aos casos de sangramento uterino abundante.



