Com alto custo do gás natural e grande oferta de resíduos agrícolas e florestais, Rio Grande do Sul tem potencial para acelerar a descarbonização do setor
O alto custo do gás natural e a oferta de biomassa colocam o Rio Grande do Sul diante de uma oportunidade para reduzir as emissões da indústria e, ao mesmo tempo, aumentar a competitividade do setor.
Levantamento da ComBio aponta que o Estado emite mais de 107 milhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano. Na indústria, parte dessas emissões está relacionada à geração de vapor e calor utilizados nos processos produtivos, ainda dependentes de combustíveis fósseis.
Para Gustavo Marchezin, diretor comercial da ComBio, a descarbonização da chamada energia térmica ainda recebe menos atenção do que a transição na geração de eletricidade. Segundo ele, entre as alternativas estão a eletrificação, o biometano e a biomassa.
A biomassa, apesar de exigir uma estrutura logística mais complexa, pode apresentar vantagem significativa de custo. O desafio, segundo Marchezin, é garantir uma cadeia de fornecimento confiável, com qualidade, estoque e rastreabilidade do combustível.
O cenário é favorecido pela própria estrutura econômica do Estado. O Rio Grande do Sul tem uma das maiores áreas de florestas plantadas do país e lidera a produção nacional de arroz, o que amplia a oferta de resíduos agrícolas e florestais que podem ser utilizados na geração de energia térmica.
Além da redução das emissões, a substituição do gás natural pode diminuir a exposição das indústrias às oscilações dos combustíveis fósseis e trazer maior previsibilidade aos custos de produção.
Em 2025, a ComBio afirma ter evitado a emissão de 665,6 mil toneladas de CO₂ equivalente. O volume corresponde a cerca de 2,3 dias das emissões anuais de todo o Rio Grande do Sul.
Para a empresa, a combinação entre oferta de biomassa, demanda industrial e estrutura logística coloca o Estado em uma posição estratégica para avançar na transição energética e transformar a descarbonização em uma oportunidade de competitividade para a indústria gaúcha.



