A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) manteve a bandeira tarifária amarela para o mês de agosto. Com isso, os consumidores atendidos pelo Sistema Interligado Nacional (SIN) seguirão pagando um adicional de R$ 1,88 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos na conta de energia elétrica.
Esta é a quarta manutenção consecutiva da bandeira amarela. Segundo a Aneel, a medida reflete as condições menos favoráveis para a geração de energia no país. A redução dos níveis dos reservatórios das hidrelétricas, provocada pela estiagem em parte do território nacional, exige o acionamento de usinas termelétricas, cuja produção tem custo mais elevado.
O sistema de bandeiras tarifárias informa, mensalmente, as condições de geração de energia elétrica e os custos associados. Enquanto a bandeira verde indica que não há cobrança adicional, as bandeiras amarela e vermelha representam aumento nos custos de produção e, consequentemente, acréscimos na tarifa paga pelos consumidores.
Para o economista Mosar Leandro Ness, a manutenção da bandeira amarela está diretamente ligada aos efeitos do fenômeno El Niño sobre o regime de chuvas no Brasil. Conforme explica, embora a Região Sul registre precipitações acima da média, áreas do Sudeste, Centro-Oeste e Norte enfrentam um cenário oposto, com volumes insuficientes para recompor os reservatórios das hidrelétricas que abastecem o Sistema Interligado Nacional.
Segundo Ness, essa condição obriga o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a ampliar o despacho de usinas termelétricas, elevando o custo da geração de energia. “O sistema de bandeiras foi criado justamente para mostrar ao consumidor quando a produção de energia se torna mais cara e esse custo precisa ser repassado à tarifa”, observa.
Diante desse cenário, o economista orienta que a população adote medidas para reduzir o consumo de energia. Entre elas, diminuir o tempo de uso do chuveiro elétrico, considerado um dos equipamentos que mais consomem eletricidade nas residências; manter os filtros do ar-condicionado limpos e operar o aparelho em temperaturas próximas de 23°C; aproveitar a iluminação natural durante o dia; e concentrar o uso da máquina de lavar roupas e do ferro elétrico em um único ciclo, evitando desperdícios.
Mosar Leandro Ness também alerta que o cenário pode se agravar nos próximos meses. Caso a estiagem persista e os reservatórios continuem perdendo capacidade de armazenamento, a Aneel poderá adotar a bandeira vermelha, o que representaria um novo aumento na cobrança sobre a conta de luz. Segundo ele, as chuvas registradas na Região Sul ao longo de julho amenizaram momentaneamente a situação do sistema elétrico, mas ainda não foram suficientes para eliminar o risco de uma tarifa mais elevada.





