A concessionária Rio Grande Energia (RGE) se pronunciou publicamente, nesta sexta-feira (29), sobre os expressivos aumentos nas contas de luz em Caxias do Sul, que chegaram a registrar em alguns casos até variações de aumento em 1.500% entre os meses de maio, junho e julho. O caso gerou intensa mobilização da comunidade, com mais de mil reclamações registradas junto ao Procon Caxias e, propriamente, assunto que gerou repercussão na Câmara de Vereadores. De acordo com o próprio Procon da cidade, as reclamações foram encaminhadas ao Ministério Público para acompanhamento da situação.
Em entrevista à Rádio Caxias, o gerente de Serviços Comerciais da Rio Grande Energia (RGE), Fábio Calvo Silva, recordou que a concessionária tem recebido, desde maio, um grande volume de solicitações e questionamentos sobre aumentos fora da média habitual de consumo dos clientes. Segundo ele, três fatores explicariam a elevação nas faturas:
1. Mudança nos hábitos de consumo: com as ondas de frio mais intenso, no inverno gaúcho deste ano, muitos clientes, segundo ele, passaram a utilizar mais equipamentos que demandam alto consumo de energia, como aquecedores, chuveiros elétricos em potência máxima e condicionadores de ar.
2. Reajuste tarifário anual autorizado pela ANEEL: aplicado em junho, o reajuste foi previsto pela agência reguladora e começou a incidir sobre toda a base e contas dos consumidores.
3. Ativação da bandeira tarifária vermelha, patamar 2: também em vigor neste período, a bandeira acrescentou segundo o integrante da RGE, cerca de R$ 7,70 a cada 100 kWh consumidos, em razão do acionamento de usinas termelétricas mais caras para suprir o sistema nacional.
Na visão de Fábio Calvo, todas as leituras passam por um processo de validação rigoroso, com sete pontos de checagem antes da emissão da fatura. Segundo ele, as leituras são feitas por colaboradores próprios da empresa e, caso o sistema detecte uma variação incomum no consumo, o leiturista é obrigado a revisar e registrar com foto. Calvo fez questão de salientar que “todos os casos analisados, até agora, mostraram que o consumo medido corresponde ao que foi efetivamente utilizado. Não sendo identificados erros de leitura ou faturamento nesses casos, até o momento”.
A moradora Daiane Luvison, da Linha 40, em Caxias do Sul, foi uma das dezenas de pessoas que entraram em contato com a Rádio Caxias. Segundo ela, mesmo com o uso de placas solares — que deveriam compensar parte significativa do consumo — a fatura saltou para um patamar que ela considera inexplicável. Conforme Daiane, a fatura só não veio mais alta porque a família possui placa solar, contudo a medição registrada em 30 dias foi de 2.277 kWh, sendo que o consumo médio da família, nos últimos 12 meses ,foi de 436 kWh. Além disso, ela explicou que apenas duas pessoas residem no endereço. A moradora também relatou dificuldades de conato com a RGE. Questionou a explicação dada pela empresa durante entrevista à Radio Caxias sobre o consumo elevado de energia, e acredita que a situação não nada razoável e que existe algo errado nas situações relatadas pelos ouvintes da emissora caxiense.
Apesar da justificativa técnica da RGE, o Procon de Caxias do Sul apontou que, após triagem, mais de duzentos casos permanecem sem explicação lógica ou técnica. Alguns consumidores relataram aumentos da conta de energia mesmo com hábitos de consumo reduzidos, uso de fogões a lenha e residências com poucos moradores. Neste sentido, o gerente de Serviços Comerciais da Rio Grande Energia reforçou que a empresa segue aberta à análise individual de cada situação. Segundo ele, “se houver qualquer erro na leitura ou faturamento, a RGE deve refaturar e ressarcir o cliente, conforme determina a regulamentação da Aneel”.
Durante a entrevista, a RGE também foi questionada sobre as dificuldades de contato relatadas por muitos consumidores, inclusive, por Daiane. De acordo com o gerente, 90% dos atendimentos são feitos por canais digitais, como aplicativo, site e WhatsApp. No entanto, ele reconheceu que há uma parcela da população — especialmente idosos — com dificuldade de acesso às ferramentas digitais. Nestes casos, orientou os consumidores que se sentirem lesados a comparecerem a uma agência presencial em Caxias do Sul.
Por fim, o gerente confirmou que a empresa está em contato com o Procon Caxias e também se colocou à disposição do Ministério Público para prestar esclarecimentos. Segundo ele, a concessionária tem compromisso real com a transparência de suas ações e que se algo errado for detectado, o problema será corrigido.
Confira aqui a entrevista completa.