O mundo acompanha um momento histórico, o lançamento da missão Artemis II, da NASA, a primeira missão tripulada do novo programa lunar da agência norte-americana. A viagem começou no dia 1º de abril de 2026 com duração de 10 dias, levando quatro astronautas em um trajeto ao redor da Lua e de volta à Terra. Na prática, a missão funciona como um verdadeiro “ensaio geral”, já que testa, em pleno espaço, todos os sistemas da espaçonave Orion, abrindo caminho para o retorno dos humanos à superfície lunar. É a primeira vez, em mais de 50 anos, que seres humanos viajam tão longe no espaço.
Muita gente ainda acredita que apenas a Apollo 11, em 1969, chegou à Lua. Mas depois dela, outras missões também foram enviadas entre 1969 e 1972. Todas faziam parte do Programa Apollo, numeradas até a Apollo 17, a última a pousar no solo lunar. Nem todas, porém, saíram como o esperado.
A Apollo 13, por exemplo, precisou abortar a missão após uma explosão em um tanque de oxigênio. Por isso, ao todo, foram seis missões que realmente pousaram na Lua, levando 12 astronautas a caminhar por lá, enquanto 24 foram enviados para lá.
No dia 20 de julho de 1969, o astronauta Neil Armstrong entrou para a história como o primeiro ser humano a pisar na Lua. Mas o que pouca gente sabe é que brasileiros tiveram participação direta nesse processo. O astrônomo e cientista espacial José Manoel Luís da Silva, natural do Paraná, integrou uma equipe de 22 brasileiros que, a partir do Observatório Nacional, no Rio de Janeiro, prestava suporte à NASA durante as missões. Hoje, ele é o único desse grupo ainda vivo.
Aos 92 anos, prestes a completar 93 no dia 25 de outubro, Silva relembra com detalhes a atuação entre 1968 e 1973. Ele participou de 10 missões, da Apollo 8 até a Apollo 17, incluindo justamente a da conquista lunar. Para ele, a astronomia vai além da ciência, é também uma forma de despertar encantamento. Não à toa, seu nome foi lembrado pela NASA em um dos momentos mais emblemáticos da história da exploração espacial.

Com o assunto em alta, principalmente nas escolas, o tema reacende o interesse pelo espaço e desperta a curiosidade de crianças e adultos. Em Caxias do Sul, o estudante Pedro Eduardo Cuba, de 12 anos, já mostra que leva essa paixão a sério. Aluno do 9º ano do Colégio Madre Imilda, ele participou, em 2025, do quadro “Pequenos Gênios”, do programa Domingão do Huck.
Pedro também foi reconhecido pela NASA ao participar do programa Caça Asteroides, promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), quando identificou dois asteroides. O feito rendeu reconhecimento nacional e uma viagem a Brasília, onde recebeu medalha de honra e participou de uma sessão especial no Senado. Durante a experiência, ele ainda conheceu o astronauta Marcos Pontes, que tornou-se o primeiro brasileiro, sul-americano a ir ao espaço em 29 de março de 2006, na “Missão Centenário”. Ele passou cerca de dez dias na Estação Espacial Internacional (ISS) realizando experimentos científicos. Além disso, Pedro participou da Olimpíada de Foguetes da Wogel – startup que oferece treinamentos análogos aos de astronautas com o objetivo de preparar jovens brasileiros para futuras carreiras no setor espacial – e, pelo desempenho, foi convidado a se tornar embaixador da instituição, além de receber o título de Astronauta Análogo Mirim, sendo o único do Rio Grande do Sul.
Para a reportagem, Pedro conta que o interesse pelo céu começou cedo, ainda aos 4 anos de idade.


Já o professor José Luís revive cada detalhe como se ainda estivesse dentro das missões. Ele também atuou em análises de pedras lunares trazidas pelos astronautas e, como especialista, avalia a importância da Artemis II, destacando que o grande objetivo dessas missões é além de ampliar o conhecimento humano,é desenvolver estações espaciais na própria lua.

O contraste entre duas gerações apaixonadas pelo espaço torna tudo ainda mais inspirador. De um lado, um cientista com uma trajetória histórica, que ajudou a escrever capítulos importantes da corrida espacial; do outro, um jovem, cheio de sonhos e já com conquistas acumuladas. Quem sabe, no futuro, Pedro não represente Caxias do Sul em uma missão da NASA, um dos seus grandes objetivos.
E essa história toda também pode ser vivida de perto aqui na Serra Gaúcha. Em Canela, um espaço temático reúne cerca de 270 itens originais da NASA, proporcionando uma
imersão no universo da exploração espacial. A equipe da Rádio Caxias esteve no local para entender como é a rotina dentro de uma espaçonave. A gerente de marketing do Space Adventure, Paula da Luz, explica que os alimentos consumidos pelos astronautas precisam ser práticos, seguros e adaptados à microgravidade, com um cardápio que inclui cerca de 189 opções, todos mais picantes, já que os sentidos mudam no espaço. Ela também detalha como funcionam as necessidades fisiológicas durante as missões.

Foto: Space Adventure/Canela

Foto: Space Adventure/Canela
Entre passado, presente e futuro, a exploração espacial segue despertando curiosidade e conectando gerações. As missões históricas do Programa Apollo aos novos passos com a Artemis II, a humanidade volta a olhar para a Lua não só como um destino, mas como parte de um caminho ainda maior. E, no meio dessa história, nomes como o do professor José Luís e o jovem Pedro mostram que o Brasil também faz e pode continuar fazendo parte dessa jornada.
