O diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar do Papa Leão XIV reacendeu o debate sobre o câncer de pulmão, que lidera as mortes por câncer no Rio Grande do Sul. Segundo o cirurgião torácico Idésio Volkweis, cooperado da Unimed Serra Gaúcha, o Estado registra cerca de 3,6 mil novos casos por ano.
Em entrevista à Rádio Caxias, nesta quinta-feira (15), o especialista destacou a importância do diagnóstico precoce e afirmou que a tomografia pode identificar tumores pulmonares com uma relação entre exames realizados e casos detectados mais favorável do que a observada no câncer de mama.
“Para identificar um câncer de mama, você tem que fazer em torno de 250 mamografias. Mas, para identificar um câncer de pulmão, você tem que fazer em torno de 100 tomografias”, explicou, citando dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca).
De acordo com o médico, o Papa foi submetido a uma lobectomia, cirurgia para retirada do lobo inferior do pulmão direito, realizada por videotoracoscopia, técnica minimamente invasiva. A indicação de tratamentos complementares depende da análise do tumor e dos linfonodos.
Segundo Volkweis, o adenocarcinoma é o tipo mais comum de câncer de pulmão e também pode atingir pessoas que nunca fumaram. O tabagismo, porém, permanece como principal fator de risco, inclusive pela exposição passiva à fumaça, e pode comprometer a função respiratória e dificultar cirurgias.
O médico explica que a tomografia de rastreamento pode ser indicada a pessoas com histórico significativo de tabagismo, conforme critérios de idade, consumo e tempo desde que pararam de fumar. A avaliação deve ser individualizada e feita por um profissional de saúde.
Após a cirurgia, o acompanhamento pode se estender por cinco anos, com exames de imagem e avaliações periódicas. O especialista reforça que evitar o cigarro, buscar orientação médica e realizar os exames indicados são medidas importantes para ampliar as chances de diagnóstico precoce e tratamento.
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