O Brasil ocupa atualmente a terceira posição no ranking mundial de procedimentos estéticos, atrás apenas de Estados Unidos e China, segundo dados da ISAPS (Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética).
A tendência é impulsionada pela vaidade. E também pelo aumento do interesse em bem-estar. Pesquisa da Offerwise aponta que 70% dos brasileiros usam produtos ou serviços de beleza para se sentirem bem, e oito em cada dez afirmam que pretendem manter ou ampliar os gastos com autocuidado.
Nesse cenário, os procedimentos minimamente invasivos ganham espaço por oferecer resultados visíveis com rápida recuperação.Entre os mais procurados estão:harmonização facial, botox (toxina botulínica), preenchimentos com ácido hialurônico, bioestimuladores de colágeno, harmonização corporal e estética da naturalidade
Especialistas destacam a importância de entender as necessidades de cada pessoa e considerar fatores como hormônios, alimentação, envelhecimento e qualidade de vida.
A dentista especializada em harmonização facial, Dra. Luciana Tchaick, afirma que um dos principais desafios no consultório é compreender que cada paciente possui necessidades e expectativas diferentes. Em meio a padrões de beleza cada vez mais presentes nas redes sociais, existe o risco de buscar mudanças exageradas ou tentar reproduzir no próprio rosto resultados vistos em outras pessoas.
Segundo Luciana, a harmonização facial não deve ter como objetivo transformar completamente a aparência. A avaliação precisa ser individualizada para que os procedimentos valorizem os traços naturais e estejam de acordo com aquilo que realmente faz sentido para o paciente. Nesse processo, também cabe ao profissional orientar quando determinado procedimento não é necessário ou quando a expectativa do paciente não condiz com um resultado natural.
Outro ponto levantado pela especialista é o estigma relacionado às mudanças externas. Para ela, cuidar da aparência não deve ser encarado como uma questão de vaidade, mas também não pode se transformar em uma busca constante por uma imagem idealizada. O equilíbrio está em compreender os limites.
Se a estética está diretamente ligada à percepção que cada pessoa tem de si, o envelhecimento traz mudanças que vão além da aparência. Na mulher, uma das principais fases de transformação é a chegada da menopausa. A ginecologista Dra. Cristina Ritter, especialista em menopausa e longevidade, explica que esse período envolve uma série de alterações hormonais que podem repercutir em diferentes áreas da vida.
A redução dos hormônios ao longo dessa fase pode provocar mudanças físicas e também sintomas que interferem no bem-estar. Por isso, segundo a médica, a chegada da menopausa precisa ser acompanhada de maneira individualizada. A reposição hormonal, quando indicada, pode fazer parte desse cuidado, mas não deve ser tratada como uma solução automática para todas as mulheres.
A avaliação médica é fundamental para entender o histórico e as necessidades de cada paciente antes de definir qualquer tratamento. O acompanhamento também permite observar outros fatores relacionados ao envelhecimento e à saúde da mulher, evitando que a preocupação com determinados sintomas ou com a aparência leve ao uso indiscriminado de vitaminas e suplementos.
Cristina chama atenção ainda para um comportamento que pode parecer positivo, mas que exige cuidado: o consumo excessivo de vitaminas. A ideia de que quanto mais vitaminas e suplementos forem ingeridos, melhor será a saúde pode levar à hipervitaminose, que ocorre quando há excesso de determinadas vitaminas no organismo.
Por isso, a suplementação não deve ser feita de maneira indiscriminada ou apenas com base em informações encontradas nas redes sociais. A necessidade deve ser avaliada individualmente, considerando exames, alimentação, histórico e condições de saúde.
O mesmo princípio aparece quando o assunto é estética. Para Luciana, não existe um procedimento que possa ser considerado ideal para todas as pessoas, assim como não existe uma única forma de envelhecer. O desafio do profissional é compreender o que cada paciente procura e, a partir disso, propor alternativas que preservem a naturalidade.
No fim, a proposta de olhar “além da estética” passa justamente por ampliar a compreensão sobre o cuidado. A aparência pode ser uma parte importante da autoestima, mas ela está inserida em um contexto muito maior, que envolve saúde hormonal, envelhecimento, alimentação, hábitos de vida e bem-estar.





