Especialista alerta que rapidez no contato com o banco e registro da ocorrência aumentam as chances de recuperar valores
Os golpes financeiros contra idosos estão cada vez mais sofisticados e fazem um número crescente de vítimas. Utilizando ligações telefônicas, aplicativos de mensagens e perfis falsos, criminosos se passam por bancos, familiares e até órgãos públicos para obter dados pessoais, senhas e induzir transferências bancárias.
As fraudes mais recorrentes envolvem falsas centrais bancárias, em que golpistas convencem a vítima a transferir dinheiro para contas supostamente seguras, pedidos urgentes de familiares por WhatsApp, clonagem de aplicativos de mensagens e envio de links falsos por SMS ou redes sociais.
Segundo a advogada Carla Arigony, especialista em Direito da Família, os criminosos recorrem à engenharia social para explorar emoções como medo, confiança e urgência.
Além das perdas financeiras, os golpes deixam marcas emocionais. O sentimento de vergonha ou culpa faz com que muitas vítimas demorem a procurar ajuda, reduzindo as possibilidades de bloqueio das operações e recuperação dos valores.
Diante de uma fraude, a orientação é agir imediatamente. A primeira medida deve ser comunicar a instituição financeira para solicitar o bloqueio da conta, do cartão ou dos acessos e contestar as transações realizadas. Nos casos de transferências via Pix, também é possível solicitar a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado pelo Banco Central para tentar recuperar recursos transferidos em situações de fraude.
Em seguida, a vítima deve registrar um boletim de ocorrência e reunir todas as provas disponíveis, como conversas, comprovantes de pagamento, números de telefone utilizados pelos criminosos, dados das contas de destino e protocolos de atendimento fornecidos pelo banco.
Além da investigação criminal, a vítima pode recorrer à Justiça para buscar a recuperação dos valores, cancelar empréstimos contratados de forma fraudulenta e, em alguns casos, pleitear indenização. Conforme a advogada, instituições financeiras também podem ser responsabilizadas quando houver falhas na prestação do serviço ou nos mecanismos de segurança, especialmente se autorizarem movimentações incompatíveis com o perfil do cliente ou deixarem de agir diante de operações suspeitas.
Como forma de prevenção, especialistas recomendam nunca realizar transferências sob pressão, nem compartilhar senhas, códigos de autenticação ou a tela do celular. Em pedidos de dinheiro enviados por aplicativos de mensagens, a orientação é confirmar a solicitação utilizando o telefone já conhecido do familiar ou, preferencialmente, conversar pessoalmente.
A ativação da verificação em duas etapas no WhatsApp, a definição de limites para transações via Pix e o diálogo constante entre familiares e idosos também são medidas apontadas como essenciais para reduzir a vulnerabilidade às fraudes. Para a especialista, criar uma rede de confiança, na qual qualquer solicitação financeira seja confirmada antes de um pagamento, continua sendo uma das principais formas de prevenção.



