O Junho Laranja é uma campanha nacional dedicada à conscientização sobre a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento da anemia e da leucemia. O movimento foca em alertar a população sobre os sintomas que afetam a saúde do sangue e orienta a busca por acompanhamento médico regular. Para tratar do tema, a reportagem da Rádio Caxias conversou com a médica hematologista Mariângela Moschen.
Questionada sobre quais sinais de alerta a população deve observar e em que momento é essencial procurar um hematologista, a doutora explicou que o cansaço é um sintoma comum que nem sempre indica grave doença. Mas, quando persistente, progressivo e acompanhado de outros sinais, exige atenção. Ela indicou quais os principais sintomas da anemia e da leucemia.
A hematologista afirmou que não é possível prevenir a leucemia na maioria dos casos, porém, existem fatores que podem aumentar o risco. A anemia, por sua vez, normalmente pode ser evitada.
Drª. Mariângela destacou também que o diagnóstico precoce é decisivo no tratamento da leucemia, já que identificar a doença logo no início permite iniciar a terapia mais rápido e reduz o risco de complicações graves, como infecções e hemorragias. Especialistas destacam que leucemia não é uma doença única: existem vários tipos, e os tratamentos hoje são cada vez mais personalizados conforme as características genéticas de cada caso. Entre os avanços recentes estão terapias-alvo, imunoterapias, anticorpos monoclonais e inibidores de tirosina quinase para leucemia mieloide crônica, além de novas estratégias para leucemias agudas. O SUS cobre o tratamento dos principais tipos, com quimioterapia, transplante de medula óssea em centros habilitados e medicações modernas.
Por fim, ela explicou que a campanha Junho Laranja também alerta para a importância da doação de sangue e do cadastro no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME). Pacientes com leucemias, linfomas e outras doenças do sangue dependem de transfusões durante o tratamento, e uma única doação pode ajudar mais de uma pessoa. Já o transplante de medula é esperança de cura para milhares, mas a chance de compatibilidade fora da família pode ser menor que 1 em 100 mil. Para doar sangue é preciso ter entre 16 e 69 anos, pesar mais de 50 kg e estar saudável. Para o REDOME, a faixa é de 18 a 35 anos.
A campanha ainda desmistifica que anemia vira leucemia: a anemia é apenas um sinal de redução de hemoglobina e, na maioria dos casos, não tem relação com câncer. Algumas leucemias podem causar anemia como sintoma, mas a deficiência de ferro, por exemplo, não evolui para a doença.
