O Rio Grande do Sul registrou alta de 8,78% no número de inadimplentes em março na comparação com o mesmo período do ano passado. Apesar do avanço, o índice ficou abaixo da média da Região Sul (9,25%) e do Brasil (9,54%), além de representar uma desaceleração em relação a fevereiro, quando o crescimento no Estado havia superado os 9%.
Na variação mensal, porém, o cenário é de alerta. O número de devedores gaúchos aumentou 1,43% em março frente a fevereiro, desempenho acima do observado no restante do país. O dado indica que, embora o ritmo anual tenha perdido força, a inadimplência segue em expansão no curto prazo.
Um dos principais fatores de preocupação é o peso das dívidas antigas. Cerca de 34,94% dos débitos no Estado têm entre um e três anos, faixa que registrou crescimento de 19,07% em relação ao mesmo mês de 2025. Esse acúmulo dificulta a recuperação financeira dos consumidores e prolonga a permanência nos cadastros de restrição. De acordo com o presidente da Federação Varejista do Rio Grande do Sul, Ivonei Pioner, o problema vai além da geração de novas dívidas.
Os dados reforçam essa dificuldade. A recuperação de crédito caiu 13,01% em março na comparação anual, desempenho pior do que o registrado na Região Sul (-8,42%) e no Brasil (-4,61%). A retração é ainda mais intensa entre dívidas mais antigas, com queda de quase 30% nos débitos entre quatro e cinco anos e de mais de 20% na faixa de um a três anos.
Em média, cada inadimplente gaúcho acumulava R$ 5.446,51 em dívidas, e 87,57% eram reincidentes — ou seja, permaneceram negativados ou retornaram ao cadastro ao longo dos últimos 12 meses. Apesar disso, quem conseguiu quitar débitos em março apresentou maior capacidade de pagamento, com valor médio de R$ 2.785,33, embora a maioria das negociações ainda envolva quantias de até R$ 500.
