A temporada da safra do pinhão teve início oficialmente no último dia 1º de abril em todo o Rio Grande do Sul, após o período de defeso, que visa à proteção da fauna associada e da araucária, além de garantir a maturação das sementes, evitando o consumo de pinhão verde. Na Serra Gaúcha, conforme a Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS), a safra deste ano deve apresentar queda na produção, com variação que pode chegar de 12,5% até 60%. Na safra de 2025, foram colhidas em torno de 600 toneladas de pinhão.
O maior índice deve se concentrar em São Francisco de Paula, onde a produção anual é de cerca de 120 toneladas e, neste ano, deve ser de 40 toneladas. Em Caxias do Sul, a safra não deve apresentar grandes variações, com a manutenção dos índices de colheitas de anos anteriores. A estimativa é de que sejam colhidas 30 toneladas da semente. A engenheira florestal e assistente técnica regional da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, Adelaide Juvena Ramos, destaca a produção deste ano.
Ela ressalta que alguns municípios podem apresentar aumento na produção, mas, na maioria, os índices de redução devem se confirmar, associados a fatores climáticos como o excesso de chuva e a estiagem no período de polinização e de desenvolvimento. Ainda, devido à araucária ser uma espécie nativa, também existem questões relacionadas ao próprio ciclo da árvore, que não apresenta uma safra cheia todos os anos.
As araucárias de Caxias do Sul recebem uma nova forma de produção, atualmente em fase de testes. A técnica consiste na redução do tempo de produção, de 20 anos para aproximadamente oito anos. O método utilizado é a enxertia, uma técnica de propagação assexuada que une tecidos de duas plantas diferentes para que cresçam como um único organismo. Dessa forma, tecidos de araucárias jovens são inseridos em ramos de araucárias adultas, permitindo que o ciclo do pinhão se inicie mais rapidamente.
A iniciativa é do Sistema Municipal de Água e Esgoto (Samae), em parceria com a Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Smapa). O método testado é da Embrapa Florestas, da cidade de Colombo, no Paraná. O local que recebe a técnica consiste em uma área de 500 hectares, no Parque dos Pinhais, localizado em Vila Seca, e é de propriedade da autarquia. O espaço integra a área de preservação estabelecida pela Lei das Águas.

1 comentário