A Serra Gaúcha está investindo no desenvolvimento de clones próprios de videiras como estratégia para reduzir a dependência de mudas europeias e fortalecer a identidade do vinho brasileiro. A iniciativa é conduzida pela Embrapa Uva e Vinho, com apoio do Consevitis-RS.
Em entrevista ao Jornal da Caxias nesta terça-feira (24), o agrônomo do Consevitis-RS, Gabriel Almeida da Silva, explicou que os clones são variações genéticas naturais identificadas dentro dos vinhedos e selecionadas por apresentarem características superiores.
De acordo com o agrônomo, o projeto reúne, atualmente, cerca de 135 clones e 59 variedades em estudo. Desses, 75 materiais estão em fase de avaliação e 14 em etapa final de validação. Entre os mais avançados, estão clones das variedades Cabernet Franc e Tannat, com lançamento previsto após registro oficial.
Conforme Gabriel, o processo de desenvolvimento é considerado de longo prazo. Desde a identificação no campo até a liberação comercial, o ciclo pode levar de sete a dez anos, passando por fases de prospecção, avaliação, validação e registro.
Segundo o agrônomo do Consevitis-RS, além da adaptação agronômica, a proposta também busca ganhos em produtividade, sanidade das plantas e redução de custos no manejo. Conforme Gabriel, a seleção local pode diminuir a necessidade de intervenções no cultivo e aumentar a eficiência da produção.
Ele ainda explica que a iniciativa também tem impacto estratégico. Ou seja, que a produção de material genético próprio tende a ampliar a autonomia do setor e melhorar a competitividade dos vinhos brasileiros no mercado internacional.
Embora não alterem completamente o perfil das variedades tradicionais, os clones podem contribuir para características mais alinhadas ao terroir da região. Um dos exemplos em avaliação é um Chardonnay Rosé identificado em Bento Gonçalves.
A expectativa do setor é de que, com o avanço das pesquisas, a vitivinicultura da Serra Gaúcha amplie a qualidade dos produtos e fortaleça sua posição no cenário nacional e externo.
Confira aqui a entrevista completa e também no Caxias Play.
