A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) reforça que identificar sinais da doença precocemente é decisivo para aumentar as chances de cura, que podem ultrapassar 80% quando o tratamento é iniciado rapidamente em centros especializados.
Segundo a médica hematologista pediátrica Virginia Tafas da Nóbrega, 2ª tesoureira da SPRS, os sintomas da doença podem ser sutis e invisíveis, mas instrumentos validados permitem medir o impacto da condição na rotina da criança. “São avaliados dor, fadiga, sono, memória e repercussões nas atividades diárias. A análise é biopsicossocial e multiprofissional, envolvendo psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e serviços sociais, garantindo um diagnóstico completo e justo”, explica.
Entre os sinais de alerta estão febre persistente, cansaço excessivo, palidez, dores ósseas, manchas roxas sem causa aparente, sangramentos frequentes, aumento de gânglios e infecções recorrentes. A persistência ou a soma desses sintomas deve levar os pais a procurar avaliação médica imediatamente.
A especialista destaca que o diagnóstico deve ser realizado por pediatras especializados em oncologia ou hematologia pediátrica, evitando atrasos causados por exames inadequados. “Um simples hemograma pode auxiliar na suspeita de leucemia, o câncer infantil mais frequente, responsável por cerca de 25% dos casos”, afirma.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que mais de 400 mil crianças recebem diagnóstico de câncer anualmente em todo o mundo. Nas Américas, estima-se que tenham ocorrido 32.065 novos casos em 2020 na faixa etária de 0 a 14 anos, sendo 20.855 na América Latina e Caribe.
A SPRS reforça que, além da atenção familiar, capacitação de profissionais de saúde e acesso rápido a serviços especializados são essenciais para salvar vidas. Campanhas como o Setembro Dourado e o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil (23 de novembro) reforçam a importância da conscientização sobre sinais, sintomas e diagnóstico precoce.

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