A intensificação de conflitos e rivalidades entre grandes potências recoloca o debate nuclear no centro da política internacional. A guerra entre Rússia e Ucrânia, as tensões envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, além da disputa estratégica entre Estados Unidos e China, aumentam as preocupações sobre uma possível escalada militar e o papel das armas nucleares no cenário global.
Em análise sobre os riscos, dos conflitos em andamento e dos possíveis desdobramentos geopolíticos, o professor de Relações Internacionais da Unochapecó, Felipe Dalcin Silva, concedeu entrevista ao Jornal da Caxias. Ele também é diretor de pesquisa do Instituto Sul-Americano de Política e Estratégia (ISAPE) e doutor em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
O professor apontou de início que a volta da competição internacional entre as grandes potencias, fez ressurgir o debate sobre armas nucleares. Nos últimos anos, a China tem aumentado consideravelmente o seu arsenal. As armas de destruição em massa são divididas em químicas, biológicas e nucleares. Entre elas, a bomba de hidrogênio é ainda mais potente.
O enriquecimento de urânio pelo Irã nos últimos anos, de acordo com o diretor, pode ser entendido como uma busca por armamento nuclear ou como estratégia de poder de negociação com outras potências.
A mesma leitura pode ser feita em relação à quantidade de armas nucleares no planeta. Enquanto uma linha aponta que, quanto mais, maior será a probabilidade de uso delas, outra diz que, se dois rivais possuírem o armamento, um não o usa contra o outro. Alguns países avaliam e discutem a possibilidade, entre eles o Brasil. Contudo, atualmente a Constituição Federal proíbe a criação no país.
Questionado se a explosão de uma bomba atômica em algum lugar do planeta poderia atingir a América do Sul, o professor contou que algumas simulações apontam que o uso de todas as armas nucleares mataria na primeira hora mais de 1,5 bilhão de pessoas no mundo e criaria nuvens radioativas que bloqueariam a luz solar, podendo acabar com o resto da população global.
O especialista também lembrou que os tratados internacionais de controle de armas enfraqueceram e acabaram sendo abandonados. Ele explicou que a Organização das Nações Unidas (ONU) acaba funcionando como um organismo de negociação, pois necessita de autorização para poder agir.
Acompanhe, em áudio, a entrevista na íntegra ao Programa Jornal da Caxias desta quarta-feira (11).
