A morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em ataque atribuído aos Estados Unidos e a Israel, ampliou a crise no Oriente Médio e acendeu alerta para impactos econômicos e diplomáticos no Brasil. A ofensiva teria atingido instalações nucleares, energéticas e militares. Além de Khamenei, integrantes do alto comando iraniano também teriam sido mortos. Em retaliação, o Irã atacou alvos na região com presença militar norte-americana, aumentando o risco de regionalização do conflito.
A explicação foi dada pelo professor de Relações Internacionais da PUC-RS, João Jung, em entrevista para o Jornal da Caxias, nesta terça-feira (03). Segundo ele, o episódio representa uma ruptura grave, pois quando “se elimina o líder máximo de um regime, o impacto é estrutural. Isso reduz o espaço para negociação e amplia o risco de escalada.”
Conforme Jung, o principal reflexo para o Brasil pode vir do petróleo. Pois, o Irã é um dos grandes produtores mundiais, e a instabilidade pressiona as cotações. O ponto mais sensível seria o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo global. O professor pondera que “se houver bloqueio no Estreito de Ormuz, o barril sobe rapidamente e o Brasil sentiria os efeitos tanto nos combustíveis fósseis quanto na inflação.”
O professor ainda garante que os ataques ampliam o alcance do conflito e aumentam o risco de envolvimento de outras potências. Ele acredita que “não se trata mais de um embate restrito entre Irã e Israel. A presença direta dos Estados Unidos transformou a crise em um conflito com potencial de internacionalização.” Jung acrescenta que a crise também exigiria cautela diplomática do Brasil, pois o Irã integra o BRICS, bloco do qual o nosso país faz parte, enquanto mantém relações estratégicas com EUA e União Europeia. Ou seja, manter a diplomacia neste” terreno espinhoso” não será tarefa fácil para o Brasil e deverá exigir muito jogo de cintura por parte do Itamaraty.
O professor da PUC/RS finalizou a entrevista para a Caxias dizendo que os ataques e contra-ataques em curso terão dias decisivos a partir de agora.
Confira aqui a entrevista completa.
