O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que elevará as tarifas globais de importação para 15%. Na sexta-feira (20), a Suprema Corte norte-americana também derrubou o tarifaço mais elevado que havia sido imposto no ano passado. O anúncio foi feito por meio de uma publicação na rede social Truth Social, menos de 24 horas após Trump informar que utilizaria um novo instrumento legal para aplicar uma tarifa de 10% sobre produtos importados, com efeito imediato. Agora, o percentual foi ampliado para 15%.
Segundo o presidente norte-americano, a medida tem como objetivo corrigir o que classificou como “décadas de práticas comerciais injustas” que, na sua avaliação, prejudicaram a economia dos Estados Unidos.
De acordo com o diretor-presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul e Região (Simecs), Paulo Joel Scopel, a mudança tende a favorecer o Brasil, especialmente no setor industrial. Ele explica que alguns produtos brasileiros chegaram a enfrentar tarifas de até 50%, pois o país era visto como um concorrente relevante para o crescimento econômico norte-americano. Com a equiparação da alíquota em 15% para todos os países, o cenário passa a ser mais equilibrado, o que representa um alívio para a indústria nacional.
Segundo análise da plataforma de monitoramento Global Trade Alert, embora tenha ocorrido um aumento em relação à tarifa de 10% inicialmente divulgada, a nova norma ainda deve resultar em uma redução média de 13,6% nas tarifas aplicadas às exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos.
Antes da decisão da Suprema Corte, que considerou ilegal o aumento anterior promovido pelo governo norte-americano, o Brasil enfrentava tarifas médias de aproximadamente 26,3% sobre seus produtos. Com a implementação da nova taxa global, esse índice deve cair para cerca de 12,8%.
A legislação norte-americana permite a aplicação de tarifas de até 15% por um período de até seis meses em situações de desequilíbrio nas contas externas ou risco de desvalorização do dólar, sem a necessidade de investigação formal.
Após esse período, o Congresso precisa aprovar a prorrogação das medidas.
