Após quase dez meses da interdição de dez sobrados no bairro São Luiz, em Caxias do Sul, por apresentarem danos estruturais e fissuras, parte do conjunto de imóveis foi demolida na manhã desta segunda-feira (19). As construções haviam sido interditadas em 25 de março de 2025, quando cerca de 50 moradores precisaram deixar as residências devido ao risco de desabamento. Na ocasião, outros oito apartamentos de um prédio vizinho também foram evacuados. Dos dez sobrados, três, localizados na entrada do residencial, foram demolidos pela empresa Albernaz Construtora, de Caxias do Sul, contratada pela Caixa Econômica Federal. A instituição é responsável pelo encaminhamento da ação, uma vez que os imóveis são privados e financiados.
O prazo para a conclusão dos trabalhos de demolição é de 30 dias, com o uso de caminhões e escavadeiras. Durante a execução do serviço, o prédio vizinho recebeu proteção preventiva. Os outros sete sobrados passarão por um novo laudo técnico, que irá apontar o nível de comprometimento estrutural de cada unidade. As dez famílias seguem fora de casa, e uma liminar judicial suspendeu o pagamento dos financiamentos.
Procurada pela reportagem, a Caixa Econômica Federal informou, por meio de nota, que a medida atende a uma decisão judicial relacionada aos sobrados, com a contratação de empresa especializada para a execução dos serviços. Ainda conforme a instituição, as demolições ocorrem “após o atendimento integral às exigências contratuais e legais, com foco na segurança das famílias e da operação”.
Laudos técnicos
Na ocasião, após a constatação das rachaduras, a Prefeitura de Caxias do Sul, por meio da Secretaria de Obras, apresentou um laudo técnico que recomendava a demolição de três dos seis sobrados considerados mais atingidos. Um segundo laudo, contratado de forma particular pelos moradores e apresentado em maio, apontou que a execução da obra ocorreu de forma diferente do projeto aprovado pela prefeitura. Segundo o documento, o projeto não teria sido seguido nos moldes estipulados, mesmo assim obtendo a liberação do Habite-se pela administração municipal.
O laudo também concluiu que as rachaduras foram causadas por falhas construtivas e descartou que intervenções na área externa tenham provocado os danos, em divergência ao laudo apresentado pela prefeitura. Ao final, o documento recomendou a demolição de três sobrados e reformas de reforço estrutural nos demais. À época, a Prefeitura de Caxias do Sul afirmou que a emissão do Habite-se atestava a conformidade com o projeto aprovado, mas não implicava responsabilidade sobre a execução da obra. Com base nesse entendimento, o Ministério Público arquivou a investigação, concluindo que não houve omissão por parte do poder público.
