O Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Visual foi criado em 1961 para combater o preconceito e promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. A data é celebrada em 13 de dezembro.
Em Caxias do Sul, a Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Visuais (APADEV) atua na cidade e região desde 1983. Com sede na cidade, mas com foco em toda a Serra Gaúcha a entidade tem atuação em municípios como São Marcos, Farroupilha e Bento Gonçalves.
O trabalho realizado com pessoas com cegueira ou baixa visão busca a habilitação ou reabilitação junto à sociedade, mostrando o mundo pelos sentidos remanescentes, e até mesmo a inserção no mercado de trabalho. Neste ano, dois usuários foram encaminhados para vagas de emprego.
Escrita e leitura em braile; orientação e mobilidade; e terapia ocupacional, estão entre as atividades realizadas com os 128 usuários que tem algum tipo de deficiência. O atendimento para o público de Caxias do Sul é gratuito, já as demais cidades contam com convênios. Na cidade, a entidade tem parceria com a Fundação de Assistência Social (FAS) para cerca de 60 frequentadores.
Além disso, a entidade recebe verbas do primeiro e segundo setor, do Estado via inscrição de projetos e de empresas, por doações. Atividades internas também buscam a arrecadação de recursos, enquanto os fundos do Imposto de Renda só podem ser acessados diante de projetos e inscrições de editais.
O presidente da Apadev, Tiago Peres, relata que atualmente as principais dificuldades enfrentadas ocasionam uma reação em cadeia. A falta de verbas dificulta a contratação de profissionais e, consequentemente, o acolhimento de mais usuários.
Ele afirma que o desafio para os próximos anos é tornar a Apadev mais visível, mostrando a importância do trabalho realizado para a sociedade. Completa que há muitos casos de pessoas que ainda não conhecem a instituição.
Desde outubro deste ano, a entidade deu início ao projeto Prevenção e Redução de Danos no Envelhecimento Saudável, no qual atende idosos com qualquer tipo de deficiência na busca de inclusão e relacionamento entre os grupos. O Fundo do Idoso destina recursos para a iniciativa.
A entidade fica localizada em prédio próprio, de três andares, que foi construído em 1992 com auxílio do Rotary Club, no bairro Panazzolo. A estrutura conta com área de socialização, fontes de água, quiosque, núcleo de atividades culturais terapêuticas e bosque sensorial. Desde 2025 o espaço também conta com produção de energia solar e a redução dos custos da energia elétrica.
Tiago assumiu a presidência da Associação neste ano, ele era cadeirante devido a uma doença neurológica autoimune, mas após processo de reabilitação voltou a andar. Foi no meio das dificuldades e desafios que ele se desenvolveu e ainda aprende todos os dias.
Para o presidente, a data exige reflexão, mas não pode se limitar apenas ao dia. Para ele, a Apadev não é só para quem tem deficiência visual, mas para todos que tem algum tipo de visão reduzida na vida.
Ele completa que muitos usuários relataram que depois que ficaram cegos, passaram a ver, pois apenas enxergar é algo superficial.
O morador de Galópolis, Santo Echer, 75 anos, passou a frequentar o espaço quando teve atrofia do nervo óptico há oito anos. Foi na pandemia que ele perdeu totalmente a visão do olho direito e agora tem apenas 15% do olho esquerdo.
Muitos desafios são enfrentados e contados por ele, que gostava muito de fazer mandalas, mas agora tem o hobby prejudicado pela falta de visão. Ele também reclama da falta de visitas e empatia após a deficiência.
Já Luiz Dias, de 64 anos, que mora no Vila Ipê, há cerca de 25 anos teve deslocamento da retina e perdeu totalmente a visão. Ele conta que demorou cerca de dois anos para readaptação e procurou a Apadev.
Foi com o apoio da entidade que conseguiu readequar a rotina e reaprender a fazer as tarefas de casa.
No dia 13 de dezembro também é celebrado pela Igreja Católica o Dia de Santa Lúcia, considerada a mártir e protetora dos olhos, da visão e da luz.
