A campanha Novembro Azul reforça, neste ano, a necessidade de ampliar o debate sobre a saúde masculina para além do câncer de próstata. O urologista cooperado da Unimed Serra Gaúcha, Dr. Gustavo Toniazzo, chama atenção para o avanço das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) entre homens e para a persistência de mitos sobre a vasectomia.
O especialista destaca que o tabu em torno do exame de toque retal vem diminuindo. “Hoje é raro que um paciente deixe de realizar o exame por vergonha”, afirma. Mesmo assim, o calendário preventivo ainda é pouco seguido: avaliação cardiológica a partir dos 40 anos, rastreamento de câncer colorretal aos 45 e PSA com toque retal anualmente a partir dos 50, ou antes em casos de histórico familiar.
Toniazzo observa que temas como disfunção erétil, infertilidade e problemas urinários ainda afastam homens dos consultórios por constrangimento. “São queixas comuns e tratáveis, mas muitos evitam buscar ajuda por associarem isso à perda de virilidade”, explica.
Entre os alertas mais urgentes está o aumento de casos de HIV e sífilis, sobretudo entre jovens. A queda no uso de preservativos, segundo o médico, tem contribuído para o avanço das infecções. “A sensação de segurança oferecida pelos tratamentos modernos fez muitos abandonarem cuidados básicos”, afirma.
A vasectomia também segue envolta em desinformação. O urologista reforça que o procedimento é simples, seguro e não interfere na função sexual — apenas na fertilidade. Apesar de reversível em alguns casos, o sucesso da reversão diminui com o tempo. “É um método que deve ser considerado definitivo”, destaca.
Sobre a andropausa, o médico explica que a queda hormonal pode provocar baixa libido, irritabilidade e fadiga, mas não ocorre em todos os homens. Os sintomas, muitas vezes confundidos com estresse ou depressão, devem ser investigados com avaliação médica e dosagem de testosterona.
Ao final, Toniazzo reforça a importância da prevenção contínua. “Diagnósticos precoces salvam vidas. Consultar regularmente não é fraqueza, é cuidado e responsabilidade”, conclui.
O Novembro Azul reforça, assim, a necessidade de derrubar tabus, atualizar informações e fortalecer a cultura do autocuidado entre os homens.
