*Colaboração Keize Machado
O vereador Hiago Morandi (PL) convocou uma coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira (5) para apresentar denúncia referente à subprefeitura de Vila Cristina, em Caxias do Sul.
O parlamentar relatou que foi procurado por uma servidora da subprefeitura que denunciou e pede a apuração de possível desvio e destinação irregular de cascalho pertencente ao Município de Caxias do Sul para o Município de Vale Real. Ainda não se tem ideia da quantidade que teria sido desviada.
O documento também aponta a utilização de máquinas e caminhões para cascalhar parte da Estrada Frederico Thomas situada no Município de Vale Real, configurando uso irregular de bens e serviços públicos fora da competência territorial. O vereador apontou a ausência de publicidade de possível convênio que amparasse a atuação intermunicipal. Ele denunciou o caso ao Ministério público na noite de quarta-feira (4).
Morandi informou que há o registro de caminhões da cidade vizinha pegando o material na subprefeitura. O caso teria ocorrido no segundo semestre do ano passado. Ele ainda contou que esteve em Vale Real para buscar explicações com o prefeito, contudo, ele não quis se manifestar. Um vídeo sobre a visita foi publicado nas redes sociais dele nesta quinta.
O parlamentar questionou o ocorrido e disse que por outro lado ruas de Caxias do Sul sofrem com a falta de cascalhamento. Afirmou confiar na justiça que vai apurar o caso.
Um pouco antes da coletiva, a Prefeitura de Caxias do Sul se manifestou por nota sobre denúncias recebidas em 12 de setembro de 2025 envolvendo o então subprefeito de Vila Cristina, Carlos Ramon. Segundo a administração, ele foi afastado do cargo ainda na época das denúncias, por determinação do prefeito Adiló Didomenico (PSD). Todo o trâmite ocorreu sob sigilo.
O governo municipal informou que uma sindicância foi instaurada internamente no dia 1º de outubro para apurar os fatos e segue em andamento. Como resultado preliminar do processo, o subprefeito Carlos Ramon foi exonerado do cargo em 16 de janeiro deste ano. Na última quarta-feira (4), o advogado de defesa do ex-subprefeito apresentou manifestação formal junto à Corregedoria-Geral do Município. A conclusão dos trabalhos da Comissão Sindicante está prevista para ocorrer ainda neste mês de fevereiro.
Procurado pela reportagem, o procurador-geral do município, Adriano Tacca, informou que o prazo regular de uma sindicância é de 90 dias, podendo ser prorrogado conforme a necessidade de localização e oitiva de todas as testemunhas envolvidas, além da eventual apuração de novos fatos. O procurador também esclareceu que cargos de confiança, como o de subprefeito, são de livre nomeação e exoneração. Nesse caso, não havia previsão legal para a prorrogação da suspensão, o que levou o prefeito a optar pela exoneração até a conclusão da sindicância.
A Prefeitura informou ainda que, desde setembro, o cargo vem sendo ocupado por servidores interinos e que um novo titular será anunciado somente após o encerramento do processo administrativo.
