A reportagem especial dessa semana apresenta um debate importante ao relacionar Cidadania, Tributação e Vida Real. Hoje nós vamos falar de um assunto que mexe com o seu dia a dia, mesmo quando você não percebe: os impostos — e como eles podem ajudar a reduzir desigualdades… ou, se forem mal distribuídos, podem aumentá-las.
E para ajudar nessa conversa, a gente pergunta: Impostos: o que isso tem a ver comigo? Bem, vamos começar do começo. Quando a gente fala de imposto, muita gente pensa: “Ah, é complicado demais. Isso é assunto de contador, político, economista.” Mas não é. Imposto é assunto de cidadania. Ele está no seu café da manhã, no preço do feijão, na conta de luz, no ônibus que você pega para trabalhar, no posto de saúde, na escola do seu filho. Está também na qualidade da rua onde você mora, na iluminação pública, no socorro da polícia, no medicamento da farmácia popular. Ou seja: tudo o que melhora — ou piora — na vida das pessoas passa por decisões tributárias.
E tem outro ponto importante: quem paga mais, proporcionalmente, nem sempre é quem ganha mais. No Brasil, boa parte da arrecadação vem de tributos sobre o consumo. Isso significa que uma família de baixa renda paga quase a mesma coisa de imposto que uma família rica quando compra arroz, pão, leite ou um remédio. Só que, para a família de baixa renda, isso pesa muito mais no orçamento. É assim que o sistema tributário pode aumentar desigualdades estruturais — aquelas que vêm de décadas — ou ajudar a reduzi-las, quando é mais justo e mais equilibrado.
Mas, você também pode perguntar: o que muda com a reforma tributária? Bom, é justamente para explicar tudo isso, com clareza e sem complicação, que o Sescon-Serra Gaúcha promoveu no dia 25 de fevereiro, às 8h da manhã, mais uma edição do Café com Estudos, no Restaurante SICA, na CIC Caxias, em Caxias do Sul/RS.
O tema discutido foi: “Reforma Tributária – LC 214/2025: Questões Controversas”. Quem conduziu o debate foi o advogado e professor Dr. Pablo Luís Barros Perez, especialista em Direito Tributário Empresarial. Na ocasião, ele explicou, de forma prática, como as mudanças nos impostos sobre consumo mexem com as empresas — mas também mexem com você, com o seu bairro, com a sua cidade. Porque não existe imposto que “só atinge empresa”. No fim, tudo chega ao consumidor, ao trabalhador, ao cidadão.
Outra dúvida comum é: para onde vai o dinheiro? E quando ele volta?
E aqui tem um dado importante para os moradores da Serra Gaúcha: Em Caxias do Sul, só 17% dos impostos arrecadados ficam no município. O restante vai para o governo federal e estadual. Isso significa que a cidade que gera riqueza, indústria, emprego e renda — recebe menos do que produz. E isso afeta diretamente o acesso a saúde, educação, transporte, segurança e infraestrutura. É um exemplo claro de como a tributação, quando não é bem distribuída, aprofundar desigualdades entre regiões.
E é também por isso que especialistas da região, como o economista Rodrigo Mello, defendem mudanças que deixem o sistema mais simples e menos injusto. Representantes empresariais, como Orlando Marin, do Simplás, dizem que uma reforma de verdade precisa melhorar essa distribuição, para que o dinheiro volte para onde ele é produzido. E líderes como Celestino Loro, da CIC Caxias, defendem que o país abandone o debate polarizado — aquela guerra simplista de “ricos contra pobres” — e comece a discutir eficiência, modernização, produtividade e justiça fiscal.
Porque cidadania não vive de slogans. Vive de soluções.

Mas, como tudo isso impacta a sua vida? Nós explicamos, quando a gente entende como funciona o caminho do dinheiro público, a gente passa a entender por que:
– O posto de saúde da sua rua tem fila…
– A escola do seu bairro precisa de mais professores…
– A rua onde você mora demora a ser asfaltada…
– O preço do supermercado sobe…
– O emprego fica mais difícil…
– O Brasil cresce menos do que poderia.
Tudo isso tem relação com decisões sobre tributos — quem paga, como paga, quem recebe e como esse dinheiro é usado. Imposto não é só arrecadação. É ferramenta social. É instrumento de equilíbrio. É ponte entre a vida que a gente tem e a vida que a gente quer ter. Entender impostos é entender o país. É ter consciência do que pagamos, do que recebemos e do que podemos exigir. Porque cidadania não é só votar: é acompanhar, cobrar, participar e aprender. E quando o assunto é justiça social, conhecimento é a chave que abre a porta da mudança. Até a próxima!
Fala Pablo Luís Barros Perez, trecho extraído do canal do Simecs – Papo com especialistas – Impactos da Reforma Tributária para Pequenas e Médias Empresas), disponível no youtube.
