O avanço do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia acende um alerta no setor vitivinícola brasileiro. O presidente do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (CONSEVITIS-RS), Luciano Rebelatto, destaca que embora o acordo traga oportunidades para o Brasil como um todo, a vitivinicultura deve ser uma das áreas mais impactadas negativamente, devido à concorrência com produtos europeus fortemente subsidiados.
Segundo Rebelatto, países como França, Itália e Portugal enxergam o Brasil como um mercado estratégico para seus vinhos, especialmente diante da queda no consumo na Europa. Com consumo per capita ainda baixo — cerca de 2,1 litros por ano — o Brasil se torna um mercado atrativo. O problema, conforme o presidente do Consevitis, está na desigualdade de condições. Enquanto produtores europeus contam com subsídios governamentais, incentivos fiscais, apoio à compra de máquinas e seguros agrícolas, o setor brasileiro não dispõe das mesmas ferramentas.
Diante desse cenário, o setor não se posiciona contrário ao acordo, nem contra a importação de vinhos, mas defende medidas compensatórias. Rebelatto também salienta que o vinho é tratado como alimento em diversos países europeus, enquanto no Brasil sofre elevada tributação.
O setor busca garantir a igualdade de condições para manter a sobrevivência econômica de cerca de 14 mil famílias produtoras de uva, além de vinícolas, enoturismo, hotelaria e serviços, especialmente na Serra Gaúcha, mas também em cerca de 30 regiões produtoras espalhadas pelo país. O presidente também comentou sobre os protestos recentes de agricultores europeus contra o acordo que refletem uma lógica semelhante: setores que se sentem prejudicados buscam proteção e equilíbrio nas negócios.
O acordo de parceria entre Mercosul e União Europeia — negociado por mais de 25 anos e recentemente concluído — representa atualmente um dos maiores tratados de livre-comércio do mundo, envolvendo blocos que somam cerca de 718 milhões de pessoas e um PIB aproximado de US$ 22 trilhões.
Do ponto de vista oficial, o governo brasileiro projeta que o pacto fortalecerá o comércio bilateral, diversificará mercados e ampliará investimentos entre as duas regiões, além de reforçar a estratégia de inserção global e dinamizar as exportações.
