O avanço do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia acendeu alerta no setor lácteo gaúcho. O texto-base foi aprovado na Câmara dos Deputados e segue para análise do Senado. No Rio Grande do Sul, o tema pautou reunião do Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat), em Porto Alegre.
A indústria teme os efeitos da redução gradual das tarifas de importação por até 18 anos. Em entrevista à Rádio Caxias, o secretário-executivo da entidade, Darlan Palharini, destacou a preocupação com a concorrência de produtos europeus subsidiados. Embora o acordo preveja cotas, o receio é de aumento, no médio e longo prazo, da entrada de queijos finos e lácteos de maior valor agregado.
A apreensão ocorre em meio a nove meses consecutivos de queda nos preços pagos ao produtor gaúcho. A importação de leite em pó e muçarela da Argentina também pressiona o mercado interno, sobretudo em períodos de câmbio favorável. O relatório no Senado está sob responsabilidade da senadora Tereza Cristina, e o setor defende a inclusão de mecanismos de proteção. Palharini citou ainda manifestação do vice-presidente Geraldo Alckmin sobre a construção de salvaguardas para setores sensíveis.
Terceiro maior produtor nacional, o Rio Grande do Sul encerrou 2025 com 4,3 bilhões de litros de leite. Apesar das dificuldades, o setor ressalta avanços em qualidade, rastreabilidade e fiscalização. Enquanto aguarda a decisão do Senado, a cadeia produtiva reforça a necessidade de equilíbrio nas negociações para preservar a competitividade da indústria e dos produtores gaúchos.
Confira aqui a entrevista completa.
