Em entrevista ao Jornal da Caxias desta terça-feira (31), o delegado aposentado e presidente da Assopciação dos Delegados de Polícia do Rio Grande do Sul (ASDEP-RS), Guilherme Wondracek, fez um alerta contundente sobre o sistema prisional e o impacto direto no trabalho da Polícia Civil. Wondracek não poupou críticas ao governo do Estado em relação a falta de espaço para os presos em penitenciárias gaúchas superlotadas e, principalmente, com as interdições provocadas pela justiça para recebimento de presos na Penitenciária do Apanhador e Penitenciária Regional de Caxias do Sul, a antiga PICs.
Entre os pontos destacados na entrevista, preocupado com o número de detentos que podem ficar presos em delegacias ou até em carros da Polícia Civil e Brigada Militar. Wondracek lembrou que, recente, foi registrado em Caxias do Sul uma tentativa de suicídio dentro de uma delegacia, envolvendo um preso que aguardava vaga no sistema prisional. O episódio, segundo ele, evidencia o risco crescente gerado pela permanência prolongada de detidos em locais inadequados.
Outro destaque da entrevista foi a crítica direta à atual política de encarceramento no Estado. Para o delegado, o cenário chegou a um ponto extremo, no qual, nas palavras do presidente da ASDEP-RS: “à polícia está praticamente proibida de prender.”
Segundo o delegado, a declaração reflete a dificuldade enfrentada pelos agentes, diante da falta de vagas. Presos permanecem por horas — e até dias — em delegacias ou viaturas, aguardando autorização para ingresso no sistema prisional.
Wondracek alerta que a situação é ainda mais grave em unidades como o Presídio do Apanhador, em Caxias do Sul, citado como exemplo de superlotação, onde novos detentos só entram quando outros deixam o local. Esse efeito cascata, na opinião do delegado, trava todo o fluxo do sistema e agrava o acúmulo nas delegacias.
A realidade local também preocupa. Segundo Wondracek, em um levantamento recente, havia dezenas de presos aguardando por vagas no Estado e mantidos em delegacias sem estrutura para custódia prolongada.
Além da crise estrutural, Wondracek destacou a defasagem no efetivo da Polícia Civil. Segundo ele, o quadro atual é cerca de 43% menor do que o necessário, com aproximadamente 1.300 policiais a menos do que havia na década de 1980 — período em que a população e a criminalidade eram significativamente menores.
Ainda durante a entrevista ao Jornal da Caxias e com o intuito de homenagear os integrantes da Polícia Civil gaúcha, o presidente da ASDEP-RS, falou sobre a estreia do podcast “A prova do Crime”, que a partir desta terça-feira (31), com a parceria entre a Associação e Padrinho Conteúdo e Assessoria, conta os bastidores da Polícia Civil retratando os 20 anos de uma das caçadas mais intensas da história da Segurança Pública do Estado: o cerco a José Carlos dos Santos, o Seco – chefe de uma quadrilha especializada em assaltos a carros-fortes que aterrorizou rodovias gaúchas. O episódio “A Caçada e a prisão do maior assaltante de carros-fortes do sul do pais” além de outros capítulos pode ser assistida através do canal da ASDEP-RS no Youtube e na playlist “A Prova do Crime”, no Spotify.
Confira a entrevista completa no Caxias Play

1 comentário
Claro que não né. Parece que o delegado se confunde pois está respondendo pela omissão estatal em garantir vagas no sistema prisional ou então garantir outros meios de cumprir penas e medidas cautelares. A polícia pode e deve cumprir seu papel e a cobrança é sobre os gestores que adoram manchete mas não entregam realizações.