As comemorações do Dia Nacional do Samba, celebrado no mês de dezembro, movimentam Caxias do Sul nesta semana com uma programação que inclui sarau, debate, música ao vivo e roda de samba na rua. As atividades integram a quarta edição do projeto Dia do Samba, idealizado pelo produtor cultural Leonardo dos Santos, e serão realizadas no tradicional Bar do Luizinho, no bairro Cohab — um dos principais redutos do gênero na cidade há 27 anos.
Além de celebrar a produção local, o projeto busca destacar a relevância histórica do samba no país. O gênero surgiu na Bahia do século XIX, resultado da fusão de ritmos africanos como o lundu e o coco, trazidos por pessoas escravizadas. No início do século XX, migrantes baianos levaram o ritmo para o Rio de Janeiro, onde o samba ganhou força, ampliou sua presença nos bairros populares e se consolidou como expressão nacional.
A partir da década de 1920, com a criação das primeiras escolas de samba e a gravação de “Pelo Telefone” (1916), considerada o primeiro registro fonográfico do gênero, o samba assumiu definitivamente o papel de símbolo da identidade cultural brasileira.
Para o produtor cultural Leonardo dos Santos, resgatar essa história é essencial:
“O samba é mais que música: é identidade, memória e coletividade. Em Caxias do Sul, mesmo que não seja predominante, ele resiste em clubes, escolas de samba e blocos de rua. O objetivo é fortalecer essa presença e valorizar nossas raízes afro-brasileiras.”
As atividades que tiveram início na terça-feira (02) — com o Sarau Dia do Samba, que propôs uma noite dedicada à memória, à pesquisa e à valorização do gênero — continuam no domingo (7), quando a rua Jacob Luchesi, em frente ao Bar do Luizinho, será transformada em palco para uma grande roda de samba a partir das 15h. Músicos locais e convidados participam da celebração, que contará também com gastronomia típica de boteco e um repertório dedicado aos clássicos do gênero. A entrada custa R$ 20.
De acordo com o produtor cultural do evento, o projeto reforça a importância do samba como patrimônio vivo e instrumento de resistência cultural. Em uma cidade marcada pela imigração italiana, o evento busca dar visibilidade às manifestações afro-brasileiras e combater o preconceito por meio da arte.
A realização é da Cali Gestão Cultural, com financiamento do Financiarte, da Prefeitura Municipal de Caxias do Sul.
