A realização da COP-30 no Brasil marcou a diplomacia climática ao aproximar delegações internacionais da realidade amazônica — bioma central nos debates ambientais, mas ainda pouco conhecido diretamente pelos negociadores. A avaliação é da professora Alessandra Lehmen, doutora em Direito Internacional e especialista em Direito do Clima, que representou a Universidade de Caxias do Sul (UCS) em diversos painéis da conferência encerrada nesta semana, em Belém (PA).
Em entrevista à Rádio Caxias, Lehmen afirmou que sediar o evento na Amazônia teve impacto transformador. Segundo ela, a COP “desmistificou a região e permitiu que negociadores vissem de perto aquilo que sempre discutiram de longe”, ampliando a compreensão das dimensões ambientais, sociais e econômicas do bioma — experiência que, na avaliação da professora, deve influenciar futuras decisões multilaterais.
A UCS participou da programação oficial como parceira do Climate Law and Governance Day 2025, considerado o maior evento jurídico da COP-30, realizado em 14 de novembro com especialistas em direito e políticas climáticas, em colaboração com a Universidade de Cambridge, UFPA e FGV Direito Rio.
A instituição também foi parceira local do Climate Law and Governance Specialization Course, promovido pela Universidade de Cambridge no dia 16, que reuniu mais de 100 participantes presenciais e outros 600 de 85 países on-line. O curso oferece capacitação para negociadores, juristas e profissionais de políticas públicas, especialmente de países vulneráveis à mudança climática. Para Lehmen, fortalecer capacidades jurídicas é essencial para transformar acordos internacionais em ações concretas.
A professora ainda comentou entraves das negociações, como financiamento climático, metas de mitigação, adaptação e o avanço da judicialização ambiental. O Brasil já é o terceiro país com mais casos de litigância climática, atrás de Estados Unidos e Austrália. Ela também destacou o aumento de práticas de greenwashing e a responsabilidade empresarial na transição energética, citando as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul como alerta da urgência climática.
Os professores Alessandra Lehmen e Leonardo de Camargo Subtil, ambos do Programa de Pós-Graduação em Direito da UCS, contribuíram ainda em debates sobre pareceres consultivos climáticos, governança ambiental global e o papel do direito nas políticas de mitigação e adaptação.
Confira aqui a entrevista completa.
