Protestos antigoverno acontecem no Irã em uma onda de agitação nacional que representa o maior desafio ao regime em anos. Alta de preços e insatisfação popular impulsionam atos em mais de 100 cidades e colocam a teocracia sob pressão.
O professor de Relações Internacionais da PUC-RS, João Jung, em entrevista ao Jornal da Caxias, lembrou que o movimento começou ainda em dezembro e contabiliza mais de dois mil mortos e 10 mil presos, de acordo com números extraoficias.
Jung relatou que diante do cenário é preciso pensar e refletir como em toda catástrofe humanitária. Pontuou que o líder supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, está no poder desde 1989. Ele acumula as funções religiosas e políticas e já passou por uma série de protestos ao longo dos anos, que sempre foram reprimidos com força militar.
Sobre uma possível interferência dos Estados Unidos no país, o professor contextualizou que após a Guerra Fria uma nova estrutura global foi formada. Nesse período começaram a ser criados novos atores políticos, novos países e teve início a ascensão chinesa. Lembrou que os americanos voltaram a tentar se colocar como liderança mundial após o atentado ao World Trade Center, em setembro de 2001, com George W. Bush no poder. O movimento que perdeu força com Barack Obama na presidência, voltou ainda mais agressivo com a chegada de Donald Trump. O especialista apontou o movimento como uma resposta a ascensão da China, que junto aos EUA, são as duas grandes potenciais mundiais.
O professor lembrou que o Irã tem relação comercial com China e Rússia, com a oferta de petróleo e gás. Por outro lado, os americanos não têm uma relação diplomática com os iranianos desde 1979, sendo inimigos tradicionais. Nesse sentido grandes elementos dificultam uma interferência americana: o apoio da China e o efetivo militar do Irã. Somasse aos fatos, as bases americanas no Oriente Médio que também poderiam ser alvos de ataques.
O professor explicou que esses apontamentos dificultariam o que chama de abdução de um líder, mas não descartou totalmente devido aos tempos de improbabilidades em que vivemos.
Em relação às eleições no Brasil e uma possível influência americana, Jung colocou que ainda é difícil prever, uma vez que não foi definido um nome de oposição a candidatura do presidente Lula. Além disso, ele disse que é preciso aguardar o desenrolar da relação do líder petista com Trump, após os episódios na Venezuela.
