As tensões provocadas pela guerra entre Estados Unidos e Irã pressionam o mercado internacional de petróleo. O principal fator é o temor de que o conflito se intensifique e se prolongue, sobretudo após o anúncio do fechamento do Estreito de Ormuz na última segunda-feira (2). A região é uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta, responsável pelo escoamento de cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente.
A interrupção da passagem representa uma ameaça direta e acende o alerta sobre possíveis gargalos no abastecimento. Diante da escalada do confronto, países do Oriente Médio adotaram medidas preventivas, suspendendo parte da produção de petróleo e gás. A reação imediata do mercado foi a disparada nos preços. No último domingo, um dia após o início dos ataques, a cotação do barril saltou até 13%, superando os US$ 82, o maior patamar desde janeiro de 2025.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sindipetro) da Serra Gaúcha, Wilson Luiz Pioner, afirma que o comportamento dos preços dependerá, principalmente, da duração e da intensidade do conflito. Segundo ele, embora os impactos sejam sentidos em diversos países, não há indicativo de desabastecimento. Pioner destaca que, por se tratar de uma commodity com mercado globalizado, o petróleo permite o redirecionamento de fornecedores, o que pode amenizar eventuais faltas pontuais e que o sindicato acompanha o cenário com preocupação.
Apesar do fechamento do Estreito de Ormuz ter elevado a tensão nos mercados, nesta quarta-feira (4) os preços voltaram a recuar após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele afirmou que petroleiros que operam na região poderão contar com escolta da Marinha americana.
Pela manhã, o petróleo tipo Brent, referência internacional, chegou a subir 0,98%, alcançando US$ 83,07 por barril, diante das incertezas no fornecimento. No entanto, ao longo do dia o movimento perdeu força e, por volta das 11h, a cotação registrava queda de 0,22%, sendo negociada a US$ 81,22. No mesmo horário, o West Texas Intermediate (WTI), principal referência nos Estados Unidos, recuava 1,02%, com o barril cotado a US$ 73,78.
