A crise política e econômica na Venezuela, marcada por instabilidade institucional e incertezas sobre os rumos do país, tem gerado riscos e oportunidades para empresas com exposição direta ou indireta ao mercado venezuelano. Os reflexos mais imediatos devem ser sentidos no Brasil por meio da volatilidade dos mercados financeiros e das oscilações no preço do petróleo. Ainda assim, o impacto sobre o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro tende a ser limitado no médio e longo prazos, já que a participação da Venezuela nas relações econômicas do Brasil é relativamente pequena.
Segundo o presidente do Conselho Executivo da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias), Ubiratã Rezler, os efeitos diretos da crise sobre a economia local são reduzidos. Em 2025, por exemplo, Caxias do Sul comercializou cerca de R$ 6 milhões com a Venezuela, um volume considerado pouco expressivo comparado a outros setores, como o agrícola, que chegou a perder praticamente 100% das vendas.
De acordo com Rezler, o cenário de instabilidade pode, por outro lado, abrir portas para exportações da Serra Gaúcha e de outras regiões industriais do país. Produtos como itens de higiene e bens industrializados tendem a encontrar demanda em momentos de crise, criando oportunidades para empresas brasileiras.
Já em uma análise de médio e longo prazo, Rezler chama atenção para um possível impacto no mercado de trabalho local. Caxias do Sul abriga um número expressivo de imigrantes venezuelanos que atualmente atuam em diferentes setores da economia. Com uma eventual retomada econômica na Venezuela, parte dessa mão de obra pode retornar ao país de origem, o que pode gerar desafios para empresas que contam com esses profissionais.
No fim das contas, a possível reorganização do mercado de petróleo venezuelano aponta para um cenário de transformações que pode afetar o Brasil. Embora haja o risco de perda de trabalhadores qualificados, o movimento também abre espaço para novas parcerias.
