A queda no preço do leite pago ao produtor rural tem acendido um sinal de alerta no início de 2026 no Rio Grande do Sul. Segundo o secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat), Darlan Palharini, a redução nos valores pagos ao produtor começou a se intensificar a partir de setembro de 2025 e está diretamente ligada ao forte aumento da produção, tanto no Estado quanto no país, aliado ao crescimento das importações de derivados lácteos de países vizinhos.
De acordo com o levantamento do setor, a produção de leite no Rio Grande do Sul cresceu 12% em 2025 em comparação com o ano anterior, enquanto a produção nacional teve aumento médio de 8%. Esse avanço, no entanto, não foi acompanhado pelo consumo, que cresce cerca de 1% ao ano. O cenário resultou em um descompasso entre oferta e demanda, pressionando os preços pagos aos produtores.
A situação se agrava com o aumento das importações de produtos lácteos, especialmente da Argentina e do Uruguai. Até 2022, esses produtos representavam cerca de 2% do consumo nacional, percentual que saltou para 9% em 2025. Boa parte dessas importações, conforme Darlan, envolve leite em pó e queijo mussarela, adquiridos principalmente por indústrias de chocolate e grandes redes de supermercados, o que amplia os estoques internos e reduz ainda mais o espaço para a produção nacional.
Entre as reivindicações do setor lácteo ao Governo Federal estão a adoção de uma política de benefício tributário para empresas de alimentos que usam o leite em pó nacional e uma sobretaxa de 50% para a entrada de produtos como leite em pó, manteiga, soro e mussarela provenientes da Argentina e do Uruguai.
Atualmente, os valores pagos ao produtor, conforme referência do Conseleite, variam entre R$ 1,85 e R$ 2,15 por litro, dependendo do volume entregue e da indústria compradora. Em agosto do ano passado, esses valores chegavam a patamares entre R$ 2,60 e R$ 3,10, o que representa uma queda próxima de 30% em poucos meses.
Segundo o Sindilat, esse preço já não cobre os custos de produção em muitos sistemas, colocando em risco a sustentabilidade de parte das propriedades. A expectativa do setor é de estabilidade nos preços ao longo de janeiro e início de fevereiro, período tradicionalmente marcado por menor consumo devido às férias escolares.
A projeção mais otimista aponta para uma possível recuperação a partir de março, com a retomada das atividades econômicas e do calendário escolar, que eleva a demanda por lácteos. Ainda assim, o Sindilat alerta que 2026 começa de forma delicada para o produtor, e que a recuperação dos preços será decisiva para evitar o abandono da atividade leiteira e garantir a permanência das famílias no campo.
