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CAXIAS DO SUL

Patrimônio Histórico 28/02/2014 | 07h06

Monumento Nacional ao Imigrante completa 60 anos de fundação


Monumento Nacional ao Imigrante completa 60 anos de fundação
Inauguração do Momento Nacional ao Imigrante pelo Presidente Getúlio Vargas. Caxias do Sul, 28 de fevereiro de 1954. | Foto: Giácomo Geremia
Localizado às margens da BR-116, como forma de mostrar que a cidade está aberta para o mundo, o Monumento Nacional ao Imigrante é uma homenagem à trajetória de superação das diversas etnias que vieram ao país em busca de uma vida próspera.

Esta sexta-feira (28) marca o aniversário de 60 anos de inauguração do obelisco. A emblemática escultura emoldurada em bronze, esculpida pelo artista gaúcho Antônio Caringi, é um tributo às conquistas dos povos que conquistaram uma nova vida na América.
 
Inspirado no casal Luigi e Enrica Zanotti, que chegou à região junto com a primeira onda de imigrantes, o obelisco contém um significado simbólico sobre os valores dos povos que protagonizaram a história da imigração. Como uma referência que exalta os esforços dos italianos e demais etnias, a escultura é um espécie de representação mítica das virtudes dos povos imigrantes, como o trabalho, a família e a religiosidade.
 
Às costas da imagem do casal existem relevos em granito, que ilustram a epopeia imigrante em três atos: a posse da terra, o cultivo e a aliança entre as forças civis e militares na Segunda Guerra Mundial. A inscrição 1875 acima dos relevos remete ao ano de chegada dos primeiros imigrantes à região onde nasceu Caxias do Sul, inicialmente denominada Colônia dos Fundos de Nova Palmira, e depois, Colônia Caxias.

Para diretora do Departamento de Memória e Patrimônio, Liliana Henrichs, o aniversário de 60 anos é um momento de renovação dos valores explícitos no Monumento.
 
Em 28 de fevereiro de 1954 a Rádio Caxias transmitiu a solenidade de inauguração do monumento, que contou com a presença do então presidente da República, Getúlio Vargas.
 
A mobilização por um monumento histórico em homenagem aos imigrantes iniciou ainda em 1949, com os preparativos para a retomada da Festa da Uva, que ocorreria no ano seguinte. O evento não estava sendo realizado havia 13 anos, devido à Segunda Guerra Mundial. A pedra fundamental foi lançada em 1950 pelo presidente Eurico Gaspar Dutra, e os anos seguintes, já com Getúlio Vargas de volta ao poder, foram de muita luta, em busca de verbas para a construção.

Aos 86 anos de idade, Ivo Compagnoni, irmão do falecido deputado caxiense Luiz Compagnoni, lembra com detalhes da articulação política junto ao presidente Vargas, e que resultou na edificação do Monumento.
 
Uma comissão comunitária liderada por Compagnoni realizou um concurso para escolher o melhor projeto de escultura. Assim, o projeto de Antônio Caringi foi o escolhido. A fundição das partes de bronze ficou a cargo da Metalúrgica Abramo Eberle. Enquanto a construção estava em andamento, um projeto do presidente Getúlio Vargas garantiu o restante da verba para a conclusão da obra, e também ampliou a finalidade inicial do Monumento.

Com o fim da guerra, a intenção de valorizar somente os italianos por meio do obelisco mudou. A Lei Federal 1801, de 18 de janeiro de 1953, alterou o nome da escultura para Monumento Nacional ao Imigrante, em alusão às diversas nações de imigrantes no Brasil.

A diretora do Arquivo Histórico Municipal, Liliana Henrichs, explica que a intensa onda de nacionalismo que imperava no país durante a Segunda Guerra não permitia nem que se falassem dialetos italianos e alemães em Caxias. Segundo ela, o reconhecimento do país ao empreendedorismo dos pioneiros após o final do conflito representou uma reconciliação do Brasil com as demais etnias europeias que imigraram para a região.
 
A historiadora Loraine Slomp Giron descreve a importância do respeito ao monumento para a valorização da vocação histórica da cidade.
 
Hoje, exatos 60 anos após a inauguração do Monumento ao Imigrante, a cidade mantém a mesma vocação que nasceu com a coragem e perseverança dos desbravadores da região. A imagem do casal de camponeses que observa para o horizonte é, mais do que nunca, uma referência permanente do legado deixado pelos nossos antepassados para a construção do futuro.

 
 
Confira imagens do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami.

Legenda da segunda fotografia*: Da esquerda para a direita, primeira fila: Humberto Bassanesi, Mário Gardelin, Alberto Belini, Américo Garbin, Tito Bettini, Heráclito Limeira, Euclides Triches, Júlio Eberle, Hugo Torquato Argenta, pessoa não identificada, Caetano Pettinelli, Érico Raabe, Armando Meneghini e Almir Rojas. Da esquerda para a direita, segunda fila: José Dallabilia, Frei Dionísio, Silvio Toigo, Júlio Ungaretti, pessoa não identificada e Pedro Buffon. Caxias do Sul, 1953. Acervo: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami.

Departamento de Jornalismo




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