A fundadora e principal mantenedora da Associação de Voluntários Independentes Defendendo Animais – Vida, Tatiana Furlan, afirmou, em entrevista à Rádio Caxias, no quadro Pautas do Bem do Jornal do Meio-Dia, nesta quinta-feira (18), que o abandono de animais segue em crescimento em Caxias do Sul e que as entidades de proteção animal enfrentam dificuldades pela falta de apoio do poder público. O tema foi abordado no contexto do Dezembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre os maus-tratos e o abandono de animais.
Fundada em 2018, a ONG Vida nasceu a partir da mobilização junto à Câmara de Vereadores com o objetivo de cobrar políticas públicas voltadas à causa animal, tendo a castração como principal estratégia de controle populacional. Com o aumento da demanda ao longo dos anos, a entidade passou a acolher principalmente gatos, muitos deles diagnosticados com FeLV positivo (leucemia felina), o que reduz significativamente as chances de adoção.
Durante a entrevista, Tatiana criticou a baixa efetividade das ações de castração no município e a paralisação do Castramóvel. Segundo ela, o equipamento permanece sem utilização, enquanto ONGs assumem, de forma independente, o atendimento a animais abandonados. A fundadora relatou ainda que tentativas de parceria com a prefeitura encontraram entraves administrativos.
Atualmente, a ONG mantém uma casa de acolhimento na rua Hércules Galó, no bairro Mariani, onde vivem cerca de 30 gatos positivos para Felv. A estrutura é mantida por oito voluntárias, uma cuidadora em tempo integral e uma estagiária de Medicina Veterinária, além de parceria com um hospital veterinário. Os custos mensais da entidade giram em torno de R$ 7 mil.
Diante da falta de recursos, a ONG Vida suspendeu oficialmente, desde maio, o recebimento de novos animais. Tatiana informou ainda que a entidade acumula uma dívida veterinária superior a R$ 70 mil, mesmo após pagamentos realizados ao longo do período. De acordo com ela, desde 2020, animais recolhidos pelo município foram encaminhados à ONG sem o repasse financeiro necessário para a manutenção.
Apesar das limitações, a ONG segue atendendo casos emergenciais, especialmente quando não há resposta do poder público. A manutenção das atividades depende exclusivamente de doações, apadrinhamento de animais, brechó solidário e da venda de produtos.
As contribuições podem ser feitas via PIX, pela chave CNPJ 34.277.774/0001-86, da Associação de Voluntários Independentes Defendendo Animais – Vida. Segundo a entidade, todos os recursos arrecadados são integralmente destinados ao cuidado dos animais acolhidos.
Confira aqui a entrevista completa.

Saiba mais sobre a ONG Vida
Desde 2018, a ONG Vida atua em Caxias do Sul com a missão de proteger e transformar a realidade de animais abandonados, especialmente aqueles em situação de sofrimento. A organização surgiu de forma independente e voluntária, tendo como princípio a defesa dos animais que não têm voz.
O nome Vida carrega um significado simbólico e afetivo. Ele remete à história de uma cachorrinha resgatada de um canil clandestino, caso que marcou o início da atuação do grupo e serviu de inspiração para a criação da ONG. A partir desse resgate, consolidou-se o compromisso de lutar pela causa animal no município.
Nos primeiros anos, o foco principal da entidade foi a promoção da castração de cães e gatos, entendida como a estratégia mais eficaz para reduzir o abandono e o sofrimento animal em longo prazo. Com o passar do tempo, a ONG ampliou sua atuação ao identificar novas demandas.
A participação na campanha Adote por Amor – 786 Corações em Espera, da Prefeitura de Caxias do Sul, evidenciou a situação dos gatos do Canil Municipal, muitos deles ariscos e com dificuldades de socialização, o que exigiu ações específicas de cuidado, resgate e encaminhamento à adoção responsável.
Desde então, a ONG Vida vem fortalecendo seu trabalho em defesa do bem-estar animal, unindo resgate, conscientização e políticas de controle populacional, com o objetivo de promover uma relação mais ética e responsável entre a sociedade e os animais.
