Os primeiros dias do ano costumam ser decisivos para a saúde financeira de famílias e empresas. Após um período marcado por altos gastos, como festas, férias e impostos sazonais, o início de janeiro se apresenta como um momento estratégico para reorganizar o orçamento e estabelecer metas mais claras para os meses seguintes. Especialistas reforçam que planejamento e disciplina são fundamentais para evitar desequilíbrios financeiros ao longo do ano.
Segundo o economista e professor universitário, Mosar Leandro Ness, o começo do ano funciona como um “marco zero” para as finanças. Ness afirma que é nesse momento que as pessoas conseguem ter uma visão mais realista da própria situação financeira. Ao mapear receitas, despesas fixas e variáveis, é possível tomar decisões mais conscientes e evitar o endividamento excessivo.
O economista destaca ainda que a falta de organização pode comprometer objetivos de médio e longo prazo. Mosar traz ainda a diferença de necessidade e desejo. A necessidade como algo indispensável para a sobrevivência, enquanto o desejo é algo que queremos ter, mas é dispensável e supérfluo.
A obrigatoriedade dessa organização fica ainda mais evidente quando analisamos dados recentes sobre a realidade financeira no Brasil. Uma pesquisa do Observatório Febraban aponta que 55% dos brasileiros admitem entender pouco ou nada de educação financeira, ainda que reconheçam a importância do tema e afirmam acompanhar as finanças pessoais de alguma forma.
Outro dado expressivo mostra que quase 80% das famílias brasileiras enfrentam algum grau de endividamento, com 43,1% dos adultos tendo o nome negativado, um recorde até então registrado em agosto de 2025, segundo levantamento do SPC Brasil e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).
De acordo com o consultor financeiro Delton Vargas, os primeiros dias do ano são ideais para revisar hábitos e corrigir excessos. Muitas pessoas deixam para pensar em finanças apenas quando surgem dificuldades. O início do ano é uma oportunidade de antecipação: renegociar dívidas, cancelar gastos desnecessários e definir prioridades.
Para o consultor, estabelecer metas financeiras claras é um passo essencial nesse processo. Ambos os especialistas concordam que a organização financeira não exige fórmulas complexas, mas sim constância. Pequenas ações, como registrar despesas, acompanhar o fluxo de caixa e revisar o planejamento mensalmente, podem gerar impactos significativos ao longo do ano. A inteligência artificial, por exemplo, pode auxiliar, mas não substitui o consultor financeiro e sim atua como uma ferramenta de apoio que potencializa seu trabalho.
Com um cenário econômico ainda desafiador, o consenso entre os especialistas é claro, quem começa o ano com planejamento sai na frente. A organização financeira nos primeiros dias não apenas traz mais controle, mas também mais tranquilidade e segurança para enfrentar os desafios que surgem ao longo do caminho.
