Roque, João Grillo, Dona Hermínia, Bibiana e Capitão Rodrigo Cambará são personagens muito distintos. Cada um tem vivências, culturas e até linguagens diferentes, mas todos têm como características serem filhos do cinema nacional. É esta diversidade que comprova o quão rico é o cinema produzido no país tropical.
Os primeiros registros do audiovisual nacional foram documentários, até 1914, quando foi lançado o primeiro longa-metragem de ficção. O filme ‘O Crime dos Banhados’, dirigido por Francisco Santos, assim como outros na época, foi uma realização dos proprietários das salas de cinema do Rio de Janeiro e São Paulo, a partir dali surgiu histórias inspiradas em crimes reais, obras literárias, algumas comédias, entre outros.
Até chegar ao cinema que conhecemos hoje, o Brasil e a sétima arte passaram por diversas épocas, como: a criação do gênero conhecido como chanchadas, a chegada do Cinema Novo ou a crise dos anos de 1980. Isso porque a cinematografia brasileira acompanhou os brasileiros: nascendo, criando, sendo censurada, evoluindo e conquistando novos espaços.
A última voz que você ouviu é do influenciador e ator, Nicolas Avancini, que usa as redes sociais para divulgar e propagar a diversidade da cinematografia brasileira. Mesmo crescendo e renascendo junto com o brasileiro, o cinema local é visto com muitos estereótipos ainda, quando questionado Matheus Nachtergaele, ator que interpreta o João Grilo na obra ‘O Auto da Compadecida 2’, explica um dos motivos deste comportamento perante nossa arte.
Apesar do preconceito, no mês de janeiro a população vibrou, em espírito de Copa do Mundo, durante o ato histórico da indicação do filme ‘Ainda Estou Aqui’ para três categorias do Oscar de 2025. Com ele, o Brasil não só disputa pela primeira vez o prêmio de Melhor Filme como ganha o mérito de ser o primeiro país a levar um longa-metragem produzido em língua portuguesa para a categoria máxima da academia.
O coordenador da Sala de Cinema Ulysses Geremia, Francisco Frainer Silva Junior, esclarece que este feito pode ser o início de uma nova fase para a sétima arte produzida no país.
Matheus Nachtergaele reforça a riqueza do cinema e a importância do brasileiro perceber isto sem o auxílio do exterior.
Apesar deste momento de ouro do cinema, a sétima arte passou por uma queda nos últimos anos, assim como outros setores, a pandemia fragilizou a arte e cultura. Segundo os últimos dados divulgados pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), no ano de 2023, os filmes nacionais levaram 3,7 milhões de espectadores aos cinemas, o que representa 3,2% do público. O resultado é 84,6% menor que em 2019 (período pré-pandemia). Mas neste momento que celebra as obras brasileiras em cartazes, a sequência “O Auto da Compadecida 2” teve a maior estréia de um filme nacional desde a pandemia. Segundo os dados do Filme B, publicação especializada em mercado de cinema do Brasil, o lançamento do título trouxe mais de 173 mil pessoas para as salas de cinema e arrecadou R$ 4 milhões.
De acordo com o coordenador, uma das ações que auxiliaram neste resultado é o aumento das leis de incentivo.
Algo reforçado pelos três entrevistados é a importância de entender que o dinheiro usado com o cinema nacional não seria um gasto, mas sim um investimento, afinal como esclarece o influenciador Nicolas:
O investimento de Ainda Estou Aqui totalizou 1,5 milhões de dólares, e até o momento, o filme de ficção científica arrecadou mais de US$ 282 milhões na América do Norte e mais US$ 432 milhões no mercado internacional, até o momento ele foi o projeto com menor custo entre a categoria de Melhor Filme e se consolidou como o mais lucrativo entre os concorrentes.
Para este momento se firmar como uma nova fase da sétima arte brasileira Nicolas Avansini esclarece algumas dificuldades que ainda precisam ser vencidas.
Enquanto o Brasil mostra para o mundo o jeitinho brasileiro de fazer cinema, é preciso lembrar a nós mesmos que a cultura do país é rica em criatividade, diversidade, sabedoria e beleza. Conhecer nossas histórias, cenários e personagens é essencial, pois é uma das formas de reconhecer o poder que é ser brasileiro.
Indicação de Filmes:
Central do Brasil (1998)
Direção: Walter Salles Sinopse: Dora, uma professora aposentada, escreve cartas para analfabetos na estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Sua vida muda ao conhecer Josué, um menino que perdeu a mãe e deseja encontrar o pai que nunca conheceu. Onde assistir: Netflix, Globoplay, Amazon Prime Video, Apple TV
Cidade de Deus (2002)
Direção: Fernando Meirelles e Kátia Lund Sinopse: O filme retrata a vida na favela Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, através da perspectiva de Buscapé, um jovem que sonha em ser fotógrafo enquanto lida com a violência e o crime ao seu redor. Onde assistir: Netflix, Telecine, Paramount+, Amazon Prime Video
O Auto da Compadecida (2000)
Direção: Guel Arraes Sinopse: As aventuras de João Grilo e Chicó, dois nordestinos que sobrevivem de golpes e trapaças, até se depararem com situações que colocam suas vidas em risco e buscam a intervenção divina. Onde assistir: Globoplay, Amazon Prime Video
Aquarius (2016)
Direção: Kleber Mendonça Filho Sinopse: Clara, uma jornalista aposentada, é a última moradora de um edifício antigo no Recife. Ela resiste às investidas de uma construtora que deseja demolir o prédio para dar lugar a um novo empreendimento. Onde assistir: Netflix, Globoplay
Que Horas Ela Volta? (2015)
Direção: Anna Muylaert Sinopse: Val, uma empregada doméstica que trabalha para uma família de classe alta em São Paulo, vê sua rotina mudar com a chegada de sua filha Jéssica, que desafia as dinâmicas de poder estabelecidas na casa. Onde assistir: Netflix, Globoplay