Muito se lê nas redes sociais coisas do género: “novo ano, novas metas” ou então, mais profundo ainda, “novo ano, novo eu”. No caso do Juventude, “novo ano, novo plantel”, é mesmo verdade. O time não está para brincadeiras e as mudanças já se fazem sentir. Na verdade, olhando para a época passada, medidas imediatas tinham de ser tomadas. Primeiro porque foram rebaixados da Série A, e segundo porque a prestação ao longo do ano esteve muito próxima do “péssimo”.
Falamos da 2ª pior defesa do campeonato com 69 gols sofridos. Por aqui já se pode ver que era precisa uma restruturação a nível defensivo para tentar impedir que este festival de gols na baliza se repita. Segundo, importava também substituir o treinador, algo que aconteceu. Maurício Barbieri é agora o treinador e vem substituir Thiago Carpini que foi muito contestado durante toda a época. Quando os resultados não aparecem no futebol, normalmente o primeiro a ser “crucificado” é o treinador. Aqui não foi exeção.
Lições da temporada 2025
55%. É esta a percentagem de vezes que o time perdeu nos seus 38 jogos para o Brasileirão. Não admira portanto que mudanças tinham de ser feitas. Já foi também mencionado que era a segunda pior defesa do campeonato, o que dava uma média de 1.82 gol sofrido por jogo. É muito. O lado positivo? Venceram 9 vezes e empataram 8, curiosamente a maioria delas no Jaconi.
O problema estava mesmo nos jogos fora, mas não só.Mesmo jogando no Jaconi, onde o desempenho foi relativamente melhor, o Juventude registrou baixos índices de consistência defensiva. O número de jogos sem sofrer gols foi de apenas 18%, evidenciando a necessidade de reforços que aumentem a solidez na retaguarda.
As estatísticas também mostram que a equipa sofreu mais fora do que em Caxias, com aproveitamento abaixo de 20% nos deslocamentos. Esse contraste reforçou a prioridade da direção em reforçar a defesa e o meio-campo, visando tornar o time competitivo em todas as frentes na Série B.
Novos reforços e soluções para problemas antigos
O projeto de reconstrução começou com a contratação do técnico Maurício Barbieri, peça central do planejamento estratégico. Sob o seu comando, chegaram reforços que atacam diretamente as lacunas do elenco de 2025:
- Goleiro: Pedro Rocha
- Zagueiro: Messias
- Laterais: Patryck Lanza, Raí Ramos
- Volantes: Léo Oliveira, Iba Ly, Lucas Mineiro
- Atacantes: Alisson Safira, Manuel Castro, Ray Breno, Juan Christian
Essas chegadas fortalecem a defesa, dão mais intensidade ao meio-campo e aumentam as opções ofensivas na área. A maioria assinou contratos até 2026 ou 2027, mostrando a aposta em estabilidade e planejamento de médio prazo.
O impacto do novo elenco também pode ser observado de fora, já que o desempenho do Juventude é constantemente monitorado por casas de apostas, cujas odds são avaliadas e analisadas para refletir as alterações no plantel e a evolução da equipa ao longo da temporada.
Limpeza no elenco e impacto na espinha dorsal
A reformulação não se resume às chegadas. Um número significativo de atletas deixou o clube, seja por empréstimo ou fim de contrato. Entre eles estão: Gustavo, Jadson, Caíque, Guruceaga, Reginaldo, Marcelo Hermes, Sforza, Giraldo, Luan Freitas e Daniel Peixoto, além de jovens emprestados como Enio, Yan Souto e Natã. Essa limpeza reforça o caráter de reconstrução quase total, mudando a dinâmica interna e abrindo espaço para novas lideranças e oportunidades de integração para os reforços.
Quem permanece e lideranças em potencial
Entre os remanescentes, o Juventude mantém peças importantes para equilibrar experiência e novidade:
- Goleiro: Jandrei
- Lateral: Alan Ruschel
- Zagueiros: Marcos Paulo, Ruan Carneiro
- Jogadores com contrato vigente: Mandaca, Luiz Henrique, Cipriano, Gabriel Taliari, Emerson Galego
A situação de Nenê também é relevante. O veterano sinalizou interesse em adiar a aposentadoria, podendo atuar como referência técnica e de vestiário, apoiando a integração dos reforços e ajudando a transmitir a cultura do clube aos novos jogadores.
Janela de janeiro e projeção para 2026
O confronto com o Ypiranga serviu como teste prático da nova configuração da equipa. A dificuldade histórica para vencer em casa adiciona importância ao resultado, mas o principal ponto de atenção está no comportamento coletivo. A temporada 2026 será marcada pelo impacto direto do volume de reforços e pela mudança de perfil do elenco.
Fatores como média de gols, reforço defensivo, intensidade do meio-campo e idade média do plantel serão determinantes para o desempenho no Gauchão e na luta pelo acesso à Série B. Com a liderança de Barbieri, a integração dos jovens e a experiência de veteranos, o Juventude pretende transformar os números preocupantes de 2025 em estatísticas positivas.
O desafio é criar consistência, especialmente no Alfredo Jaconi, equilibrando defesa e ataque e aumentando a capacidade de finalização. Se as apostas nos reforços se confirmarem, o clube terá dado um passo decisivo para voltar a ser competitivo e lutar por objetivos mais ambiciosos na Série B de 2026.
