A cidade de Juiz de Fora vive um dos momentos mais difíceis de sua história após o desastre climático que atingiu a Zona da Mata, em Minas Gerais. Até terça-feira (03), foram registrados 72 mortos — 65 deles no município, — além de mais de oito mil pessoas desalojadas ou desabrigadas, em meio a um cenário de destruição provocado por enxurradas e deslizamentos.
O morador de Juiz de Fora e jornalista Matheus Brum, que acompanha de perto a situação, em entrevista ao Jornal da Caxias, relatou que o cenário é muito parecido com o vivenciado pelo Rio Grande do Sul em 2024. A cidade está localizada na região serrana, assim como Caxias do Sul.
Ele contou que fevereiro foi o mês mais chuvoso da história do município mineiro, com quase 800 milímetros de chuva. Mais de 15 escolas estão servindo de abrigo provisório para os desalojados e desabrigados. Brum acrescentou que não foi apenas a periferia da cidade que foi atingida.
O jornalista informou que a cidade já voltou a fluir e que os atendimentos básicos estão funcionando normalmente. Apenas duas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) foram afetadas. As aulas na rede municipal retornam na próxima semana, mas o poder público ainda não informou para onde os desabrigados serão transferidos. O transporte público também está operando, apenas com algumas mudanças de itinerário.
Ainda de acordo com ele, a primeira etapa de reconstrução da cidade ainda não finalizou, com vias ainda obstruídas e encostas que precisam de contenção. Já a segunda fase será do planejamento do processo de reconstrução, no qual bairros precisarão ser transferidos de local.
Por fim, o jornalista mineiro apontou que há uma rusga entre os governos municipal e estadual, segundo ele, devido ás diferenças partidárias, que resultam, por enquanto, na ausência de ações conjuntas.
Ubá, cidade vizinha a Juiz de Fora, também foi fortemente atingida pelas chuvas. A cidade registrou sete mortes e uma pessoa segue desaparecida.
