A economia de Caxias do Sul encerrou dezembro de 2025 com retração de 0,6% na comparação com novembro. O principal responsável pelo resultado foi a indústria, que registrou queda de 6,7%. O desempenho é considerado típico para o período, marcado por férias coletivas e pela desaceleração tradicional de fim de ano.
Na contramão, serviços e comércio apresentaram crescimento expressivo. O setor de serviços avançou 7,4%, enquanto o comércio subiu 4,7%, impulsionado pelo movimento do Natal, principal data do varejo.
Os números consolidam um ano de perda de dinamismo econômico, especialmente no segundo semestre, mesmo com o desempenho positivo de serviços e comércio. O relatório foi divulgado nesta quinta-feira (12) pela Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias) e pela Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL Caxias).
Na comparação com dezembro de 2024, já descontados os efeitos sazonais, houve leve alta de 0,9% na atividade econômica. Mais uma vez, serviços (12,9%) e comércio (7,1%) sustentaram o resultado positivo, enquanto a indústria acumulou queda de 7,7%, permanecendo como o principal fator de pressão negativa.
No acumulado de 2025, a economia caxiense registrou retração de 0,7%. Apesar do crescimento dos serviços (8,3%) e do comércio (4%), o desempenho não foi suficiente para compensar a queda de 7,2% na indústria. Economistas destacam que o cenário reflete um mercado ainda sensível, impactado por juros elevados, incertezas tributárias e insegurança jurídica, fatores que dificultam novos investimentos e uma retomada mais consistente da atividade econômica.
Na avaliação do coordenador Tarciano Cardoso, membro da diretoria de Economia da CIC Caxias, a redução dos juros é fundamental para a economia local, cuja estrutura produtiva depende fortemente de financiamento, especialmente na comercialização de bens de maior valor agregado. Ele também demonstra preocupação com a projeção de crescimento do PIB brasileiro em torno de 2%, índice que, segundo ele, mantém o país abaixo da média mundial há vários anos.
Outro ponto de alerta é a proposta de redução da jornada de trabalho, com o fim da escala 6×1. Para Cardoso, sem ganhos correspondentes de produtividade, a medida pode elevar os custos das empresas e impactar diretamente o preço final dos produtos.
Já para Mosár Leandro Ness, assessor de Economia e Estatística da CDL Caxias, projeta que 2026 deverá ser marcado por redução no nível de investimentos. Por outro lado, o consumo das famílias tende a permanecer em ritmo equilibrado, sustentado parcialmente a atividade econômica.
Diante dos números, o cenário que se desenha para Caxias do Sul é de cautela. A forte dependência da indústria, historicamente o motor da economia local, segue sendo um fator determinante para o desempenho geral da atividade.
