O IBGE iniciou, na última semana, a coleta de dados da Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul (PEERS) na Serra Gaúcha. O levantamento — inédito no país — pretende dimensionar os efeitos sociais, econômicos e demográficos da maior tragédia climática recente do estado. A coleta segue até 19 de dezembro, com possibilidade de prorrogação.
O superintendente estadual do IBGE, Luis Eduardo Azevedo Puchalski, destaca que o estudo foi planejado logo após o evento climático extremo, ainda em 2024. “A pesquisa foi pensada para dar voz à população atingida. Instituições públicas e universidades produziram diagnósticos, mas faltava o relato direto de quem viveu o desastre”, afirmou.
Foram incluídos 133 municípios que decretaram emergência ou calamidade pública. No total, 34 mil domicílios participam da amostra. As entrevistas são realizadas por telefone, a partir da central do IBGE no Rio de Janeiro — o que tem gerado baixa taxa de resposta.
O instituto está orientando os moradores a atender ligações do número (21) 4201-23XX. Para reduzir a desconfiança, equipes realizam visitas de pré-contato, enviam cartas e mensagens de WhatsApp, utilizando dados do Censo 2022. Também é possível agendar voluntariamente a entrevista pelo 0800 721 8181, mediante o código informado na correspondência.
O questionário reúne informações sobre: o momento da enchente, incluindo necessidade de resgate, atuação de voluntários, perdas materiais, interrupção de trabalho e acesso a serviços essenciais; a situação atual das famílias, como permanência ou abandono do imóvel, deslocamentos permanentes, condições de moradia e perfil socioeconômico.
Segundo Puchalski, visitas recentes mostram que, em áreas como Santa Tereza, muitas casas desapareceram completamente. Ainda assim, moradores demonstram disposição para participar. “Encontramos pessoas emocionadas, que querem relatar o que viveram”, disse.
Os resultados devem ser divulgados até junho de 2026. O IBGE afirma que a pesquisa será fundamental para avaliar a efetividade das ações adotadas durante e após a tragédia, além de orientar estratégias de prevenção. Um dos pontos de interesse é a atuação espontânea de voluntários, que teve papel central nos resgates.
Durante a entrevista, Puchalski também comentou os esforços do instituto em modernizar métodos de coleta diante de restrições orçamentárias e mudanças comportamentais, como o aumento de residências com apenas um morador e a menor disponibilidade de tempo para entrevistas presenciais.
O superintendente reforçou a importância da participação da população da Serra. “É essencial atender a ligação. O relato dos moradores permitirá traçar um retrato fiel do impacto das enchentes e orientar políticas mais eficazes”, destacou.
O IBGE recomenda que o número de contato seja salvo no celular como “IBGE – Pesquisa Enchentes” para facilitar a identificação da chamada.
Confira aqui a entrevista completa.
