O governo do Rio Grande do Sul lançou, nesta quarta-feira (3), no Palácio Piratini na capital gaúcha, a campanha estadual “Não Maquie, Denuncie”, voltada à prevenção da violência contra as mulheres. O evento reuniu entidades de atendimento à mulher, movimentos sociais e organizações da sociedade civil, reforçando o compromisso do Estado com políticas de proteção e enfrentamento à violência de gênero.
A iniciativa — que utiliza a metáfora da maquiagem para mostrar como muitas marcas da violência são escondidas ou invisíveis — tem como objetivo incentivar denúncias desde os primeiros sinais de abuso, incluindo violência psicológica, emocional e moral, frequentemente naturalizada no cotidiano das mulheres.
Em entrevista ao Jornal da Caxias desta quinta-feira (04), a secretária da Mulher do Estado, Fábia Richter, destacou que a iniciativa vai além da segurança pública e exige olhar atento para o contexto que oprime as mulheres. Richter enfatizou a necessidade de combater barreiras que impedem as mulheres de pedir ajuda, como vergonha, preconceito e medo da reação de familiares ou do agressor. De acordo com a secretária, o lançamento foi programado para o período de festas de fim de ano, quando há aumento de tensões familiares e, consequentemente, maior risco de violência doméstica.
Dados recentes reforçam a urgência da ação. Entre janeiro e outubro, 69 mulheres foram vítimas de feminicídio, e mais de 220 sofreram tentativas, além de cerca de 40 mil denúncias de violência registradas no período. A maior parte dos casos ocorre dentro de casa e tem como agressor o próprio parceiro.
Questionada sobre como irá funcionar a campanha, a secretária disse que ela será amplamente divulgada em televisão, rádio, redes sociais e materiais gráficos, com participação de influenciadores e personalidades públicas. Haverá ainda ações educativas em comunidades, escolas e empresas, além da ampliação de ferramentas de proteção — como medidas protetivas, monitoramento de agressores e sistemas eletrônicos de alerta.
Ao fim da entrevista, a Secretária da Mulher reforçou que o enfrentamento à violência exige mobilização coletiva, ou seja, “cada gesto de atenção e empatia pode salvar vidas. A violência contra a mulher é um problema social que precisa ser enfrentado por todos nós.”
Confira aqui a entrevista completa.
