A comunidade de Alfredo Chaves, no interior de Flores da Cunha, viveu um dia de reconstrução após o forte vendaval ocorrido no final da tarde de segunda-feira (8). O fenômeno verificado pelo Centro de Monitoramento da Defesa Civil Estadual foi, na verdade, um tornado, que provocou estragos significativos em residências, prédios públicos e estruturas produtivas da região.
A confirmação veio após análise das imagens coletadas pelas equipes do Departamento de Gestão de Desastres, que desde o início da ocorrência trabalham no terreno. As fotografias aéreas mostram destroços arremessados em várias direções — um dos principais indícios do comportamento rotacional típico de tornados. Pelas estimativas técnicas, os ventos ultrapassaram os 100 km/h no momento do impacto.
No início da noite desta terça-feira (9), o prefeito Cezar Ulian (PP) apresentou dados atualizados sobre a dimensão do desastre. Segundo ele, o mapeamento feito por equipes da Prefeitura, Brigada Militar, Corpo de Bombeiros e Defesa Civil apontou cerca de 80 edificações afetadas, a maioria residências, totalizando aproximadamente 320 pessoas diretamente atingidas. Indiretamente, em razão da falta de energia elétrica, cerca de 5 mil moradores foram impactados pelo tornado.
A expectativa é de normalização completa do abastecimento até a manhã desta quarta-feira, o que também deve restabelecer o fornecimento de água — dependente de bombas elétricas – especialmente na área mais atingida, o Travessão Alfredo Chaves. O prefeito também destacou que todas as estradas já estão liberadas para veículos leves desde uma força-tarefa feita entre a noite de segunda e a madrugada de terça. Durante o dia, máquinas pesadas concluíram a desobstrução total das vias.
Todas as casas atingidas receberam lonas, e a distribuição de telhas deve começar amanhã para famílias enquadradas nos critérios da Defesa Civil. Equipes municipais, bombeiros e Defesa Civil seguem com vistorias e apoio emergencial.

Além dos danos materiais, o impacto na agricultura é preocupante. Conforme Ulian, cerca de 70 hectares de parreirais foram derrubados pelos ventos, além de danos adicionais causados por granizo e vendavais em outros pontos do interior, totalizando cerca de 180 hectares de produção comprometida. A perda econômica estimada chega a quase R$ 4,5 milhões, números que ainda podem sofrer variações.
Diante do cenário, o município decretou situação de emergência. O documento deve ser publicado nesta quarta-feira, aguardando homologação estadual e federal. Segundo o prefeito, a medida é fundamental para agilizar processos, permitir contratações e abrir caminho para a captação de recursos que auxiliem na reconstrução da comunidade. A administração municipal também contabiliza danos em escolas, UBSs, no hospital e no sistema de iluminação pública — parte deles provocados pelo acúmulo de granizo nas calhas, que gerou infiltrações e alagamentos.
Durante a terça-feira, uma força-tarefa liderada pelo Corpo de Bombeiros contou com contingente reforçado para atender à demanda. Doze bombeiros atuaram por turno, com apoio de equipes de Gramado, Bento Gonçalves, Vacaria e Veranópolis. Foram distribuídas lonas às famílias afetadas, além do envio de geradores de energia, antena Starlink, motobomba e viaturas por parte da Defesa Civil Estadual.
A prioridade segue sendo restabelecer a mobilidade, atender as famílias e mitigar riscos estruturais. A recomendação das autoridades é para que a população evite áreas afetadas e não tente realizar reparos por conta própria, devido às estruturas instáveis.
