O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi transferido de prisão domiciliar para o regime fechado na manhã do último sábado (22/11), por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Com a decisão, Bolsonaro se torna o quarto ex-chefe do Executivo brasileiro preso desde a redemocratização, após Fernando Collor, Michel Temer e Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo o cientista político João Ignacio Pires Lucas, a medida é resultado de um processo jurídico conduzido pela Polícia Federal, responsável pela fiscalização do regime domiciliar. “Há um pedido da PF e o acatamento do STF, que tem jurisdição sobre esses processos. Trata-se de uma discussão técnica sobre o devido processo penal, igual para todos os presos brasileiros”, afirmou.
Caso de alta repercussão
Apesar de seguir o mesmo arcabouço legal aplicado a outros investigados, a transferência de um ex-presidente tem peso político. “Há sempre uma atenção especial a figuras dessa relevância. A defesa, a Polícia Federal, o STF e demais atores envolvidos travam uma disputa jurídica intensa”, disse Lucas.
O especialista ressalta que a situação ocorre em um ambiente político já tensionado desde as eleições de 2022 e dos eventos de 8 de janeiro. “É uma conjuntura que se renova a cada mês. O desfecho esperado é a prisão definitiva do ex-presidente, mas, devido ao calendário eleitoral, o tema continuará no centro da agenda política.”
Reações divididas e efeitos eleitorais
A decisão reacendeu disputas entre aliados e adversários de Bolsonaro. “Seu partido, familiares e apoiadores contestam cada nova medida judicial, enquanto o governo e seus aliados veem a transferência como legitimada pelo processo legal”, aponta o cientista político.
Lucas também ressalta que o caso tem efeito em cadeia sobre o entorno do ex-presidente. “Há aliados presos, outros foragidos e, no caso de Eduardo Bolsonaro, a permanência prolongada fora do país enquanto exerce mandato, o que aprofunda a percepção de crise no grupo político.”
Rotina de investigações no país
O especialista afirma que a prisão de autoridades se tornou mais comum no Brasil recente. “Prefeitos, governadores, parlamentares e ex-presidentes enfrentam investigações e condenações. É reflexo do aperfeiçoamento dos sistemas de controle, embora persista a sensação de que ainda há espaço para avanços.”
Repercussão internacional limitada
No plano externo, a avaliação é de que o episódio não deve gerar problemas diplomáticos. “A prisão de Bolsonaro provoca repercussão, mas não altera substancialmente a posição do Brasil no cenário internacional”, analisa Lucas.
Ele lembra que tensões registradas no governo anterior — especialmente com os Estados Unidos — perderam força. “Há um distensionamento. Relações entre Lula e Trump vêm se aproximando, e medidas tarifárias recentes foram revistas.”
Mesmo diante das tensões globais envolvendo EUA, China, Rússia, Ucrânia e o Oriente Médio, Lucas considera improvável que o caso Bolsonaro influencie diretamente a política externa. “O Brasil costuma manter postura de moderação. O episódio não deve provocar mudanças importantes nesse sentido.”
Confira abaixo a análise completa do cientista político para a Rádio Caxias.
