Durante entrevista ao Jornal da Caxias, nesta Quinta-feira Santa (02) , data celebrada pelos cristãos católicos, o Padre Zezinho construiu um raciocínio voltado a preparação de quem não só é visto como um orientador, mas como um líder, diante das comunidades católicas espalhadas pelo Brasil. Padre Zezinho disse que “todo o padre, bispo ou religioso” tem que sentir os sonhos e as dores do povo.
Com declarações diretas na entrevista, e uma voz de quem interpreta por mais de cinco décadas momentos de fé e o contexto social da Igreja em cações, Padre Zezinho também mencionou o quanto é necessária a preparação de um sacerdote que, hoje, pretende evangelizar por meio da música, criticando a postura de alguns padres, na atualidade, que pretendem ser mais do que evangelizadores e/ou pregadores, adotando a figura de “artistas” —o que pode ser um grande risco para a fé — levando para o púlpito manifestações políticas e não o que é preciso ser feito: a propagação da palavra de Deus. Na visão de Padre Zezinho é necessário um sacerdote escutar os clamores do povo pois “um padre que não estuda bem, diz bobagem”, defendendo que o estudo é fundamental para o exercício do ministério.
O sacerdote também criticou o protagonismo excessivo em celebrações religiosas. Segundo Zezinho, em alguns casos, a figura do padre acaba se sobrepondo à mensagem central, destacando que o foco deve permanecer sempre na comunidade e no conteúdo da fé, não na figura do padre. Com mais de cinco décadas de atuação, Zezinho avaliou que os desafios atuais da evangelização passam pela retomada da essência da mensagem cristã, com foco no coletivo e não no protagonismo individual.
Outro ponto abordado na entrevista foi o uso político da religião. Zezinho condenou a presença de discursos ideológicos dentro das Igrejas, especialmente, durante celebrações.
Durante a entrevista ao Programa Jornal da Caxias, o Padre refletiu sobre o significado da Quinta-feira Santa, que marca a instituição da Eucaristia e o gesto do lava-pés. Além disso, o significado Tríduo Pascal, ápice do ano litúrgico católico, celebrando em três dias (de quinta a domingo) a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Zezinho ressaltou valores como humildade, serviço e atenção ao próximo, além de alertar para o avanço do individualismo na sociedade atual.
Ao final da entrevista, o sacerdote destacou que sua trajetória sempre esteve baseada em uma evangelização voltada à formação e à consciência crítica dos fiéis, inspirada na doutrina social da Igreja. Segundo ele, a missão sempre foi “fazer o povo pensar, amar e agir”, utilizando a música e os meios de comunicação como instrumentos para promover valores, incentivar o diálogo e colocar o outro, no centro da vivência cristã.
Confira a entrevista na íntegra no Caxias Play.
Sobre o religioso
O Padre Zezinho nasceu em 8 de outubro de 1941, em Machado (MG), e atualmente residete em Taubaté (SP). É um dos mais conhecidos sacerdotes e compositores católicos do Brasil. Ingressou na Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus e foi ordenado padre em 1966. Ganhou destaque por usar a música como forma de evangelização, compondo centenas de canções religiosas populares. Entre suas músicas mais conhecidas estão “Oração pela Família” e “Maria de Nazaré”, muito cantadas em missas e encontros religiosos. Suas composições misturam mensagens de fé, valores familiares e reflexões sobre a vida cristã. Ao longo da carreira, gravou dezenas de discos e teve suas músicas traduzidas para vários idiomas. Também escreveu livros e participou de programas de rádio e televisão.
