As despesas concentradas no início do ano, como IPTU, IPVA, material escolar, seguros e custos decorrentes das férias, exigem planejamento e controle financeiro das famílias. O alerta é do professor da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e assessor econômico da CDL Caxias, Mosar Leandro Ness, doutor em Economia.
Segundo o economista, a organização financeira deve ser feita ao longo de todo o ano para evitar o acúmulo de dívidas em janeiro, período em que, para muitos trabalhadores, a renda é reduzida. “A disciplina é o ponto central do planejamento financeiro. Sem controle dos gastos, o orçamento familiar fica comprometido”, afirma.
Ness destaca que a elevada carga tributária brasileira amplia o impacto dessas despesas. De acordo com ele, o brasileiro trabalha, em média, cinco meses e meio por ano apenas para pagar impostos. “Além dos tributos mais visíveis, há impostos embutidos em contas básicas e no consumo diário, o que torna o peso dos gastos ainda maior”, explica.
Entre as principais recomendações está o acompanhamento mensal das despesas, seja por meio de aplicativos bancários ou de registros manuais. O economista orienta que as famílias identifiquem gastos fixos, como moradia, alimentação e planos de saúde, e gastos variáveis, como lazer e consumo fora de casa. “Esses últimos são os que permitem ajustes mais imediatos”, ressalta.
O economista também alerta para os riscos do uso inadequado do crédito, especialmente o rotativo do cartão, que apresenta juros elevados. Segundo Ness, essa modalidade deve ser utilizada apenas em situações emergenciais. “O uso frequente do crédito leva ao aumento da inadimplência, que hoje já atinge um número expressivo de consumidores”, afirma.
Dados apresentados pelo economista indicam que mais de 100 mil CPFs em Caxias do Sul estão negativados em cadastros de inadimplência, o que impacta diretamente o consumo e a economia local.
Outro ponto de preocupação é o endividamento de aposentados e pensionistas, frequentemente abordados por ofertas de crédito consignado. Ness orienta que, nesses casos, a família acompanhe a situação financeira e, se necessário, bloqueie novas contratações. “Não existe dinheiro fácil. Planejamento e cautela são fundamentais”, reforça.
Por fim, o economista recomenda a elaboração de um orçamento anual, com previsão de todas as despesas fixas e variáveis, além da reserva de parte da renda para emergências. “Educação financeira, disciplina e planejamento são essenciais para manter o equilíbrio do orçamento familiar”, conclui.
