Uma pesquisa encomendada por duas organizações – Movimento Pessoas à Frente e República.org – analisou cerca de 50 milhões de contracheques de quatro milhões de servidores ativos e aposentados do poder Executivo, da magistratura federal e dos estados, do Ministério Público Federal e Estadual, do Congresso Nacional e dos governos estaduais de São Paulo e Minas Gerais.
Cinquenta e três mil servidores no Brasil ganham acima do teto do funcionalismo. É o maior contingente em um ranking que inclui os Estados Unidos, a França, a Itália, o Reino Unido e países da América Latina. Esses pagamentos custaram ao contribuinte brasileiro R$ 20 bilhões em doze meses. A pesquisa foi realizada entre agosto de 2024 e julho de 2025.
A Especialista em Conhecimento da República.org, Ana Pessanha, explicou em entrevista ao Jornal da Caxias que esses supersalários existem por causa dos chamados penduricalhos que, de acordo com ela, são benefícios classificados indevidamente como indenizações, o que faz com que esses pagamentos fiquem fora do limite do estabelecido pela Constituição Federal, atualmente estipulado em cerca de R$ 46 mil.
Ela informou que os supersalários se concentram principalmente nas carreiras de juízes federais e estaduais, no Ministério Público e em carreiras de advogados da União e procuradores federais. Ana apontou que esse cenário não é condizente com a sociedade em que vivemos, pobre e desigual, não sendo justo que arque com os custos de salários para uma pequena elite de servidores públicos. Ela pontuou que o gasto desse dinheiro público traz impactos ao funcionalismo e para a população.
A especialista ressaltou que existem medidas que precisam ser feitas para tornar o sistema mais transparente e equilibrado. A mais importante, de acordo com ela, é impedir a possibilidade de que os servidores dessas carreiras determinem sozinhos as suas próprias remunerações. Além disso, ao lembrar que os supersalários não são ilegais, mas imorais, apontou a necessidade de reforma estrutural e de mobilização da sociedade.
O cenário brasileiro apontado pela pesquisa não encontra paralelo com outros países, com o Brasil sendo líder do ranking de gastos com uma diferença bastante significativa em comparação com a segunda colocada, a Argentina.
