Sob o impacto de 80 mulheres assassinadas por questões de gênero em 2025 – aumento de 10% em relação ao ano anterior – e aos 11 casos de mulheres mortas por companheiros ou ex-companheiros no Rio Grande do Sul neste início de ano, a Associação dos Delegados de Polícia do Rio Grande do Sul (ASDEP/RS) emitiu nota de pesar e indignação. A entidade aponta que se a média se manter, o RS iria atingir a marca de 120 feminicídios até o fim do ano.
O delegado Guilherme Wondracek, presidente da Associação, relata que o cenário era esperado, uma vez que aponta a ausência de políticas públicas consistentes no Estado. Ele lembra que a Delegacia da Mulher foi criada em 2011, mas foi extinta em 2015, com o atual governo retornando o serviço apenas no sétimo ano de gestão.
Wondracek defende que até que a Secretaria comece a dar resultados, seja criada uma força-tarefa integrada, liderada pelo Estado e envolvendo o poder Judiciário e a sociedade civil organizada.
O presidente da Associação pontua que enquanto o governo do Estado celebra a queda nos índices de criminalidade, aponta que muito se deve ao esforço de agentes da Segurança Pública que sofrem com a desvalorização salarial. Por outro lado, lembra que houve uma migração do crime para o meio digital desde a pandemia.
Anunciada em junho de 2025, após aumento nos casos de feminicídio no estado, a secretária Fábia Richter foi empossada em outubro.
