Os últimos dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Dieese mostram um cenário misto para os brasileiros em março. Apesar do aumento do custo da cesta básica em 14 capitais, o trabalhador que ganha um salário mínimo tem comprometido um percentual menor com a alimentação: o índice passou de 51% para 46% do rendimento líquido, cinco pontos percentuais a menos que no mesmo período do ano passado.
Na pesquisa com 27 capitais, Porto Alegre aparece na 5ª posição, exigindo 106 horas e 47 minutos de trabalho para comprar a cesta básica, comprometendo 52,48% do salário mínimo líquido — um dos maiores percentuais do país. Em Florianópolis, a cesta custa R$ 797,53; em Cuiabá, R$ 793,77.
Para Juliana Franco, economista, a queda do percentual está ligada ao reajuste do salário mínimo acima da inflação, mas ainda é alto. “O salário mínimo ideal para cobrir despesas básicas seria R$ 7.164”, explica.
Diante disso, famílias recorrem a substituições de produtos, redução do consumo de proteínas, endividamento e trabalho informal (33% dos empregos). Mais de 70% das famílias estão endividadas, chegando a 90% no Paraná.
Renato Castro, coordenador de Nutrição da UniCesumar, destaca que planejamento e reaproveitamento ajudam no orçamento: organizar cardápio semanal, priorizar alimentos da safra, reaproveitar sobras e alternar carnes podem reduzir desperdício e custo.
Apesar da leve melhora no poder de compra, o custo de vida segue pressionando o orçamento das famílias, que continuam fazendo cortes e escolhas estratégicas para manter uma alimentação mínima e equilibrada.
