O Centro Regional de Gestão Integrada de Riscos e Desastres (CRGIRD) da Serra Gaúcha é uma das dez unidades previstas pelo governo do Estado. A região foi priorizada por concentrar a segunda maior área de risco geológico do Rio Grande do Sul, incluindo pontos vulneráveis em Caxias do Sul e municípios vizinhos, conforme o coordenador regional da Defesa Civil, Major Marcelo de Souza. O edital para a contratação da empresa responsável pela construção do centro deve ser publicado nas primeiras semanas de janeiro de 2026.
O projeto prevê um centro operacional avançado e um hub logístico, que reunirá recursos para resposta a desastres, incluindo um depósito regional de ajuda humanitária — algo inexistente atualmente na Serra, que depende do material estocado em Porto Alegre. A nova unidade também contará com heliponto, ampliando a capacidade de acesso aéreo em situações de emergência e acelerando deslocamentos em crises como enchentes, deslizamentos e tornados, como o registrado recentemente em Flores da Cunha.
Segundo o major Souza, o futuro centro será estruturado para operar mesmo durante uma crise severa, com sistemas de redundância e autonomia. Entre os equipamentos previstos estão painéis fotovoltaicos, geradores próprios, reservatórios de água, armazenamento seguro de dados e tecnologias avançadas para monitoramento, alerta e tomada de decisão.
O projeto foi desenvolvido com base em visitas técnicas aos Estados Unidos e referências adotadas em países com estruturas consolidadas de gestão de risco. A definição do imóvel que receberá a obra ainda está em análise. O local precisa cumprir uma série de requisitos, como área adequada para o heliponto e facilidade de acesso para os 49 municípios que serão atendidos pela regional.
O centro também funcionará como base para treinamentos integrados entre municípios, Brigada Militar, Corpo de Bombeiros, equipes de resgate e demais órgãos do Sistema de Defesa Civil, segundo o coordenador regional. A ideia é que procedimentos como montagem de abrigos, funcionamento de gabinetes de crise, ativação de postos de comando e protocolos de comunicação estejam previamente treinados por meio de simulados.
O investimento, anunciado anteriormente pelo vice-governador Gabriel Souza, será na casa R$ 22 milhões, com recursos vinculados ao FUNRIGS, dentro do plano de expansão e descentralização de resposta a desastres no Rio Grande do Sul. Após a publicação do edital no início de 2026, a expectativa é que o processo avance para contratação e início das obras o mais rápido possível.
