Ao longo do mês de janeiro, a inadimplência em Caxias do Sul apresentou elevação, conforme dados ainda preliminares. Mesmo assim, já é possível observar que o aumento deve ficar acima de 5%. Segundo o assessor econômico da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) Caxias, Mosar Leandro Ness, o resultado é considerado inédito desde a criação do índice, já que o município inicia o ano com um volume de inclusão de débitos superior a R$ 33 milhões, enquanto o total de exclusões ficou em aproximadamente R$ 8 milhões.
Ainda de acordo com o economista, o número de pessoas inadimplentes é o que mais chama a atenção, já são mais de 130 mil caxienses em condição de inadimplência.
No cenário estadual, o consumidor gaúcho começou 2026 mais endividado e com maiores dificuldades para recuperar o crédito em comparação com o início de 2025. É o que apontam os dados divulgados pela Federação Varejista do Rio Grande do Sul, operadora do SPC Brasil no Estado, responsável pelo levantamento.
Entre janeiro de 2026 e o mesmo período de 2025, houve aumento de 9,19% no número de inadimplentes no Rio Grande do Sul, índice ligeiramente inferior aos registrados na Região Sul (9,33%) e no Brasil (9,39%). Também foi observado crescimento de 18,24% no número de dívidas em atraso por consumidor gaúcho, percentual superior às médias regional e nacional.
Outro dado preocupante é que 87,22% dos inadimplentes são reincidentes, ou seja, permaneceram com restrições ao longo dos últimos 12 meses ou chegaram a regularizar a situação, mas voltaram a ficar negativados nesse período.
Segundo Mosar Leandro Ness, a perda de renda ao longo do último ano, especialmente entre trabalhadores e aposentados, é um dos principais fatores para o aumento da inadimplência. Além disso, a taxa básica de juros atingiu patamares elevados, próximos de 15% ao ano, enquanto os juros praticados no cartão de crédito e no cheque especial ultrapassam 100% ao ano. Esse cenário dificulta a recuperação financeira dos consumidores e contribui para a permanência ou agravamento das dívidas, penalizando inclusive aqueles que mantinham seus compromissos em dia.
A pesquisa da Federação Varejista do estado aponta que o maior alerta está nas dívidas de longa duração. O tempo médio de atraso entre os consumidores gaúchos é de 28 meses, e 34,94% dos devedores acumulam pendências entre um e três anos, o que demonstra a dificuldade de regularização e a persistência do endividamento no Estado.
