Milhões sofrem com dor no joelho por artrose e adiam o especialista por medo de cirurgia. Saber quando operar ou seguir no conservador muda o resultado.
A dor no joelho que aparece ao subir escadas, sentar no chão ou caminhar por muito tempo tem um nome familiar para quem passa dos 50 anos no Brasil: artrose. A condição é a doença articular mais prevalente no país e uma das principais causas de limitação funcional em adultos acima dessa faixa etária.
Mesmo assim, um número expressivo de pacientes passa anos convivendo com a dor sem buscar avaliação ortopédica, seja por receio da cirurgia, seja pela crença de que não há muito o que fazer além de tomar analgésico.
A realidade clínica é mais variada do que esse cenário sugere. A artrose tem estágios, e cada estágio tem um leque diferente de opções terapêuticas.
Nos casos iniciais e intermediários, tratamento conservador bem conduzido, com fisioterapia, controle de peso, medicação e infiltrações, pode oferecer anos de qualidade de vida sem necessidade de cirurgia. Nos casos avançados, adiar a operação quase sempre significa mais dor por mais tempo, com limitação crescente e sem ganho real.
A questão não é se a cirurgia vai ser necessária ou não. A questão é entender em que ponto do percurso cada paciente está, e o que faz mais sentido para ele naquele momento.
O que é artrose e por que o joelho é tão afetado
A artrose, chamada também de osteoartrite, é uma doença degenerativa que afeta a cartilagem articular, o tecido que reveste as extremidades dos ossos dentro das articulações e permite que eles se movam com atrito mínimo.
Com o envelhecimento, uso excessivo ou lesões anteriores, essa cartilagem vai se desgastando. Quando o desgaste avança o suficiente, os ossos começam a se tocar diretamente, gerando dor, inflamação, rigidez e perda progressiva de mobilidade.
O joelho é a articulação mais afetada pela artrose no Brasil, e as razões são anatômicas e funcionais. É a maior articulação do corpo, suporta três a cinco vezes o peso corporal durante a marcha normal, e está sujeita a décadas de carga repetitiva.
Cada quilo a mais no peso corporal representa uma carga adicional de cerca de quatro quilos sobre cada joelho ao caminhar, o que explica por que o excesso de peso é um dos fatores de risco mais relevantes para o desenvolvimento e a progressão da doença.
“Lesões anteriores de menisco ou ligamentos que não foram tratadas adequadamente também aceleram o processo degenerativo. Um menisco removido parcialmente ou um ligamento rompido que gerou instabilidade crônica compromete a distribuição de cargas dentro da articulação e favorece o desgaste precoce da cartilagem, às vezes décadas antes do que ocorreria naturalmente”, observa Dr. Ulbiramar Correia, ortopedista para artrose no joelho em Goiânia.
Os estágios da artrose e o que cada um permite
A artrose de joelho é classificada em quatro graus, do mais leve ao mais severo, com base em critérios radiológicos e clínicos. O grau 1 indica alterações mínimas, quase sempre sem sintomas significativos. O grau 2 começa a produzir dor em situações de maior esforço.
O grau 3 já apresenta desgaste importante da cartilagem, com dor mais frequente e limitação funcional. O grau 4 representa o estágio avançado, com perda quase total da cartilagem e contato direto entre os ossos.
Nos graus 1 e 2, o tratamento conservador tem espaço amplo. Fisioterapia para fortalecer a musculatura ao redor do joelho, controle rigoroso do peso, uso criterioso de anti-inflamatórios, infiltrações de ácido hialurônico ou corticoide e, nos casos selecionados, uso de plasma rico em plaquetas, o chamado PRP. Essas abordagens não reconstroem a cartilagem perdida, mas reduzem a progressão, controlam a inflamação e melhoram a função.
No grau 3, a decisão começa a depender mais do perfil do paciente e da intensidade dos sintomas do que do exame de imagem isolado. Há pacientes com artrose grau 3 que respondem bem ao tratamento conservador por anos.
Há outros que chegam ao mesmo grau com limitação funcional severa e qualidade de vida comprometida, para quem a espera por cirurgia só prolonga o sofrimento. O grau 4 avançado, com dor constante que não cede ao tratamento clínico, é indicação cirúrgica praticamente consolidada.
Quando a cirurgia passa a ser a melhor resposta
Existe um conjunto de situações clínicas que, quando presentes de forma consistente, indicam que o tratamento conservador chegou ao seu limite. O primeiro é a dor persistente que não cede com o tratamento clínico bem conduzido por pelo menos seis meses.
Se o paciente faz fisioterapia regularmente, usa medicação corretamente, controlou o peso e ainda assim a dor interfere nas atividades básicas do dia a dia, como caminhar, dormir ou trabalhar, o perfil já aponta para avaliação cirúrgica.
O segundo é a limitação de amplitude de movimento que afeta a autonomia. Quando o paciente não consegue mais subir escadas, agachar, ou realiza essas tarefas com dor intensa, a qualidade de vida está comprometida de forma objetiva.
O terceiro é a deformidade articular visível, aquela angulação progressiva do joelho para dentro ou para fora que, além de estética, indica desalinhamento mecânico que acelera o desgaste e já não responde a medidas conservadoras.
No campo cirúrgico, as opções variam conforme o grau e o perfil do paciente. A artroscopia resolve problemas específicos como fragmentos de cartilagem soltos, lesões meniscais associadas e corpos livres na articulação.
As osteotomias corrigem o alinhamento do membro em pacientes mais jovens com artrose localizada em um único compartimento, redistribuindo a carga para uma área saudável.
A artroplastia parcial substitui apenas o compartimento desgastado. E a artroplastia total, a prótese completa do joelho, substitui toda a articulação nos casos de artrose avançada tricompartimental.
Os dados do DATASUS mostram que o número de artroplastias totais de joelho realizadas no Brasil cresceu mais de 52% no período pós-pandemia em relação ao período anterior, reflexo tanto da demanda represada quanto do envelhecimento da população e do aumento na oferta do procedimento pelo sistema de saúde.
A taxa de sucesso da prótese total de joelho é alta: mais de 90% dos pacientes conservam o implante funcionando por mais de 20 anos, segundo estudos internacionais consolidados.
A cirurgia robótica e navegada: o que mudou na prótese de joelho
Nos últimos anos, a cirurgia de prótese de joelho passou por uma evolução tecnológica relevante com a entrada da robótica e da navegação cirúrgica.
Em novembro de 2024, o Vera Cruz Hospital, em Campinas, realizou a primeira cirurgia ortopédica na América Latina com a plataforma SkyWalker para artroplastia, marcando a chegada de mais um sistema ao país.
Essas tecnologias adicionam precisão ao posicionamento do implante, com navegação em tempo real que orienta o cirurgião dentro de limites de segurança programados previamente com base nos dados anatômicos do próprio paciente.
O resultado prático é um alinhamento mais consistente da prótese, menor variabilidade entre procedimentos e, em muitos casos, menos trauma nos tecidos moles durante a cirurgia.
A adoção ainda está concentrada em centros com alto investimento tecnológico e equipes treinadas especificamente para operar essas plataformas.
O Conselho Federal de Medicina normatizou a prática em 2022, estabelecendo exigências de estrutura hospitalar e capacitação médica, o que ajuda a padronizar segurança mesmo que a disponibilidade ainda seja desigual entre regiões.
Como escolher o especialista certo para o seu caso
A escolha do ortopedista para tratar artrose de joelho, especialmente quando a cirurgia está em cogitação, vai além de encontrar alguém disponível.
O volume cirúrgico importa. Um cirurgião que opera prótese de joelho com frequência regular tem domínio técnico, manejo de variações anatômicas e experiência no controle de complicações que simplesmente não se desenvolve em quem realiza o procedimento esporadicamente.
A subespecialização também conta. Ortopedistas dedicados exclusivamente ao joelho têm familiaridade com as indicações específicas de cada técnica, sejam artroscopia, osteotomia, prótese parcial ou total, e conseguem oferecer ao paciente uma discussão mais aprofundada sobre qual caminho faz mais sentido para aquele quadro clínico específico.
Para quem está em busca de avaliação especializada, consultar os melhores ortopedistas especialistas em joelho com experiência em artrose e artroplastia é o caminho mais seguro para ter um diagnóstico preciso e um plano de tratamento que realmente leve em conta o estágio da doença, o perfil do paciente e as opções disponíveis, incluindo as mais modernas.
O que esperar da recuperação após a cirurgia de joelho
Um dos principais motivos que leva pacientes a adiarem a cirurgia é o medo do pós-operatório. A recuperação de uma artroplastia total de joelho dura entre quatro e seis meses para o retorno pleno às atividades, mas a mobilidade começa muito antes. Na maioria dos protocolos modernos, o paciente já coloca o pé no chão no dia seguinte à cirurgia, com apoio e supervisão da equipe de fisioterapia.
As técnicas minimamente invasivas reduziram o tempo de internação e o sangramento cirúrgico. Protocolos de analgesia multimodal controlam a dor no pós-operatório de forma muito mais eficaz do que nos procedimentos realizados há dez ou quinze anos. A recuperação ainda exige comprometimento com a reabilitação, mas o perfil de dor e limitação no período pós-cirúrgico mudou bastante.
Para a artroscopia e para procedimentos menos extensos, a recuperação é mais curta. Cirurgias de menisco por via artroscópica, por exemplo, permitem retorno às atividades leves em duas a quatro semanas, com retorno esportivo em dois a três meses dependendo da extensão do procedimento e da estrutura de reabilitação disponível.
Viver com dor no joelho não é inevitável
A artrose avança, mas o ritmo com que ela impacta a vida de quem tem a doença depende em grande parte das decisões tomadas ao longo do caminho.
Tratamento conservador adequado nos estágios iniciais pode protelar a necessidade de cirurgia por muitos anos. Cirurgia bem indicada no momento certo transforma a qualidade de vida de quem já chegou ao limite do que as medidas clínicas conseguem oferecer. O que não ajuda ninguém é a inércia.
Conviver com dor crônica no joelho sem buscar avaliação, na esperança de que melhore sozinho ou com analgésico, quase sempre resulta em chegar ao especialista com um quadro mais avançado e menos opções na mesa. A articulação que poderia ter sido tratada de forma conservadora por mais alguns anos chega ao consultório já pedindo prótese.
A primeira consulta com um ortopedista especializado em joelho é o passo que define todo o resto do percurso. E quanto mais cedo ela acontece, mais opções o paciente tem.
