Ao fim da última semana, a juíza titular da Vara de Execuções Criminais (VEC), Joseline de Vargas, após o período de recesso, retomou o trabalho de inspeção prisional, umas das funções junto à VEC.
Uma foto do atendimento dentro de uma casa prisional foi postada no seu perfil profissional em uma rede social. Contudo, após a publicação surgiram diversas manifestações. Diferente de outras ocasiões, desta vez as mensagens não se referiam ao trabalho da magistrada, mas em relação a ela e da condição de ser mulher. Os comentários registraram palavras de baixo calão, misoginia, agressão e até a incitação do cometimento de crimes.
Críticas sobre a defesa de criminosos são comuns, de acordo com ela, porém, desta vez os comentários ultrapassaram a liberdade de expressão. Os ataques vieram de pessoas de fora do perfil dela e de muitas contas utilizando perfis falsos.
A juíza conta que tirou print dos comentários e já fez o registro da ocorrência. Ela comenta que como representante do poder Judiciário e sendo uma mulher em cargo de ponta, é muito importante que se posicione.
O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, a Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) e outras entidades emitiram nota de repúdio sobre o ocorrido. Além disso, dezenas de pessoas manifestaram apoio à magistrada nas redes sociais.
Nota em Defesa do Judiciário
O Tribunal de Justiça do RS, tendo em vista recentes ataques feitos nas redes sociais contra magistrada da Vara de Execuções Criminais (VEC) da Comarca de Caxias do Sul, reitera a necessidade de preservação da independência da magistratura, como forma de valorizar o próprio Poder Judiciário.
É inadmissível que magistrados ou servidores, cumprindo seus deveres funcionais, sejam alvos de ataques misóginos e ofensivos, representando uma afronta às atividades desenvolvidas pelo Judiciário, cujas manifestações são sempre pautadas pela legalidade, ética e respeito à sociedade.
Desembargador Alberto Delgado Neto
Presidente do Tribunal de Justiça do RS
